Apesar de criticar manobra da ultradireita, Executivo de centro-direita mantém a parceria 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bandeira de Portugal cobre o Parlamento — Foto: Filipe Amorim/AFP Uma moção de censura apresentada pelo partido de extrema-direita Chega está prevista para ser votada amanhã no Parlamento de Portugal. Promovida pela sigla de ultradireita, a medida foi criticada pelo governo e demais partidos de oposição, que acusam o Chega de demagogia e coreografia. Sem os votos do Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, a possibilidade de o governo de centro-direita da Aliança Democrática (AD) cair fica nas mãos apenas do Chega, que não tem votos suficientes. Apesar de considerar uma coreografia, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou que não descarta repetir parceria com a ultradireita, como fez no pacote anti-imigração. O governo enfrenta crises políticas e administrativas, mas o PS prefere manter a mínima estabilidade diante da piora do cenário, que seria agravado travando o país e promovendo eleições antecipadas. Depois de perder as eleições para a AD e cair para terceira força, o PS tem chance de recuperar mais terreno ao deixar o Chega ficar falando sozinho sobre derrubar o governo. Pesquisas mostram a retomada do PS, que chegaria à liderança das intenções de voto, superando a AD, que empata com o Chega. É um cenário ainda indefinido para o PS e ajudar o rival a jogar o país numa crise em um momento de incerteza global, sobretudo pela alta dos preços dos combustíveis, pode ter o efeito contrário e tirar votos. A moção foi apresentada porque o ministro da Administração Interna e ex-diretor da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, não deu explicações consideradas convincentes sobre casos em que é investigado. Ele responderá aos deputados antes da votação. A oposição, apesar de evitar derrubar o governo, considera que o primeiro-ministro Luís Montenegro perdeu o controle da situação. Neves enfrenta três inquéritos na Procuradoria da República, um processo no Tribunal de Contas e outro de natureza administrativa. Um reboque carregado de tonéis com substâncias químicas usadas na produção de drogas foi apreendido na construtora de um amigo em movimentação autorizada por Neves. Segundo o ministro, o material seria destruído no local porque a Polícia Judiciária não teria recursos para a operação: cerca de € 150 mil (R$ 893 mil). A Procuradoria também investiga o uso por Neves de um carro que pertenceu a um traficante e estava apreendido pela PJ.
Parlamento vota medida de censura que serve para derrubar governo de Portugal
Apesar de criticar manobra da ultradireita, Executivo de centro-direita mantém a parceria






