Eleições 2026

Com a proximidade das eleições, a educação brasileira parece, mais uma vez, ter encontrado uma fórmula mágica capaz de resolver todos os problemas educacionais. Depois de reformas curriculares, avaliações em larga escala, apostilas, plataformas e aplicativos educacionais cada vez mais apoiados na inteligência artificial, a aposta da vez, propagandeada tanto por candidatos à presidência como aos governos estaduais, é manter os estudantes mais tempo na escola. A modalidade ganhou financiamento robusto, metas ambiciosas e um lugar de destaque no discurso sobre qualidade da educação. Mas passar mais tempo na escola não significa, necessariamente, uma educação melhor, pode ser apenas a mesma educação, com mais horas.

A ideia não é nenhuma novidade, remonta às escolas-parque idealizadas por Anísio Teixeira na Bahia dos anos 1950 e ganhou sua expressão mais conhecida nos Cieps, implantados no Rio de Janeiro pela gestão de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro nos anos 1980. Passadas décadas, a fórmula volta ao centro do debate como se fosse uma novidade, e nos últimos anos diversas políticas federais e estaduais têm se voltado para a sua expansão.

Em 2021, apenas 15,1% das matrículas na educação básica das redes públicas de ensino eram em tempo integral; quatro anos depois, eram 25,8%, um salto de 10,7 pontos percentuais em quatro anos. No ensino médio, o avanço foi ainda maior, de 16,7% em 2022 para 26,8% em 2025, o que é explicado, em parte, pelo Programa Escola em Tempo Integral, criado em 2023, que totaliza aproximadamente 4 bilhões em investimentos federais. Com isso, o Brasil superou a meta estabelecida pelo PNE de 2014, de 25% de matrículas da educação básica em tempo integral. Entretanto, a meta de 50% das escolas ofertando a educação em tempo integral segue bem atrás, e é esse descompasso que interessa neste texto. No ensino fundamental, por exemplo, apenas 14,4% das escolas ofereciam jornada ampliada em 2022. Número que foi ampliado para 19,1% em 2024.