Virginia Fonseca, Bianca Andrade, Camila Coutinho e outras criadoras ampliaram sua atuação nas redes e passaram a investir em produtos, marcas próprias e novos negócios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Virginia Fonseca, Bianca Andrade e Franciny Ehlke — Foto: Reprodução Instagram Ter milhões de seguidores deixou de ser, por si só, uma medida suficiente para definir o tamanho de uma carreira nas redes sociais. Conforme o mercado de influência amadureceu, a audiência passou a ser também um ponto de partida para outras frentes profissionais. Em vez de apenas divulgar produtos de terceiros, algumas criadoras passaram a desenvolver marcas próprias, lançar produtos e ocupar espaços que vão além do conteúdo digital. Virginia Fonseca é um dos exemplos mais conhecidos desse movimento. A presença construída nas redes se desdobrou em negócios ligados a diferentes segmentos, enquanto outras influenciadoras seguiram caminhos semelhantes. Bianca Andrade, à frente da Boca Rosa, Camila Coutinho, que levou a experiência construída no universo da moda para o empreendedorismo, e nomes como Mari Maria, Mari Saad, Franciny Ehlke e Bruna Tavares também transformaram a relação com suas comunidades em projetos empresariais. A mudança acompanha uma transformação no próprio mercado de creators. Se antes o influenciador era contratado principalmente como um canal de comunicação para marcas, hoje a audiência pode servir de base para a construção de produtos e empresas. Nesse cenário, quantidade de seguidores é apenas um dos indicadores considerados. "Seguidor e influência não andam necessariamente juntos. Quanto maior a base, mais dispersa fica a audiência, e o engajamento proporcional tende a cair. Em 11 anos de agência eu já vi campanha com perfil enorme entregar milhões de impressões e vender pouquíssimo, e criador de 30 mil seguidores esgotar o estoque do cliente em dois dias. É por isso que eu sempre digo a mesma frase: alcance você compra, influência precisa ser construída", afirma Isabela Soller, especialista em marketing de influência e CEO do Grupo Soller. Na avaliação da especialista, outros sinais ajudam a dimensionar a força de uma comunidade digital. Engajamento, salvamentos, compartilhamentos, retenção dos vídeos, qualidade das interações, alcance entre pessoas que não seguem o perfil e características da audiência podem revelar mais sobre a relação entre criador e público do que um número isolado. Quando a imagem ganha valor profissional A transformação da audiência em negócio também passa pela percepção que o público constrói sobre quem está por trás daquela marca. A lógica, porém, não se restringe às influenciadoras. Para empresárias e profissionais que usam as redes como ferramenta de trabalho, a imagem pode contribuir para a construção de autoridade e para a forma como uma empresa é reconhecida. "Uma empresária não precisa se tornar uma influenciadora para construir autoridade. Ela precisa entender qual espaço quer ocupar na mente das pessoas e fazer com que sua imagem seja coerente com esse posicionamento. Quando existe clareza sobre quem ela é, o que defende e aquilo que entrega, a imagem deixa de ser apenas uma questão estética e passa a funcionar como uma ferramenta estratégica para o negócio", afirma Ana Carolina Gaivota, especialista em imagem e autoridade. Nesse processo, presença digital e posicionamento profissional precisam caminhar juntos. A exposição, sozinha, não garante reconhecimento. "Autoridade não nasce de uma publicação isolada ou de um grande número de seguidores. Ela é construída pela consistência. A empresária que compartilha conhecimento, mostra sua visão, sustenta suas escolhas e mantém coerência entre discurso e prática começa a ser reconhecida como referência. E essa percepção tem valor: influencia decisões, aproxima clientes e diferencia uma empresa em mercados cada vez mais competitivos", acrescenta Ana Carolina. A proximidade como diferencial A relação estabelecida com o público também ajuda a entender por que algumas criadoras conseguem levar sua influência para outras áreas. Em uma internet cada vez mais povoada por conteúdos produzidos ou aprimorados por inteligência artificial, aspectos como personalidade, rotina e bastidores podem ganhar importância justamente por reforçarem a sensação de proximidade. "As pessoas estão começando a perceber quando existe uma comunicação excessivamente construída. Ao mesmo tempo em que a inteligência artificial amplia de forma muito rápida a quantidade de conteúdo disponível na internet, cresce também o desejo por aquilo que parece real, orgânico e impossível de ser replicado por uma máquina", observa Jussara Sanches, jornalista e especialista em marketing pessoal e marcas pessoais. A percepção de autenticidade, no entanto, não elimina a necessidade de planejamento. "Ser autêntico não significa publicar qualquer coisa ou abandonar estratégia. A estratégia continua sendo fundamental, mas ela precisa organizar a verdade daquela pessoa em vez de criar um personagem", acrescenta. Para algumas criadoras, a comunidade formada nas redes deixou de ser apenas o público que acompanha seus conteúdos e passou a impulsionar novos projetos, do lançamento de produtos à criação de marcas próprias. Nesse processo, a relação com quem está do outro lado da tela ganha peso nas decisões de compra e no interesse pelo que aquela criadora apresenta. Ter milhões de seguidores, portanto, não garante, por si só, uma audiência disposta a acompanhar esses projetos. Confiança, identificação e coerência entre o que se mostra nas redes e o que se entrega fora delas também pesam nessa relação.