Publicitária Bianca Bottrel explica como o avanço do UGC abriu espaço para criadoras que produzem conteúdo para marcas sem depender de uma grande audiência 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Você não precisa ser influencer para trabalhar com marcas: entenda o crescimento do UGC — Foto: Magnific O mercado de influência digital mudou rapidamente nos últimos anos. Se antes as marcas concentravam seus investimentos em criadores com milhões de seguidores, hoje cresce a busca por conteúdos que pareçam mais espontâneos, próximos da experiência real do consumidor e capazes de gerar identificação. Não por acaso, celebridades e influenciadores como Virginia Fonseca, Bianca Andrade, Camila Coutinho e Jade Picon convivem em um cenário cada vez mais diverso, no qual nem sempre o alcance é o principal ativo. Em paralelo ao universo dos grandes nomes, uma nova categoria de profissionais vem encontrando espaço ao produzir vídeos, fotos e relatos para campanhas sem necessariamente construir uma audiência própria. Esse movimento acompanha a consolidação do chamado UGC (User Generated Content, ou Conteúdo Gerado por Usuário), formato que ganhou força no Brasil nos últimos anos e abriu caminho para uma atividade que tem atraído especialmente mulheres em busca de renda extra, flexibilidade de horários ou uma transição de carreira. A proposta é simples: criar conteúdos para marcas com aparência mais natural e cotidiana, sem a obrigação de publicar o material em redes sociais pessoais. Entre as profissionais que ajudaram a popularizar esse modelo no país está a publicitária Bianca Bottrel. Formada em Publicidade e Propaganda, ela trabalhava em regime CLT quando começou a observar o crescimento da tendência em mercados internacionais. Na época, atuava com influenciadores digitais e decidiu testar o formato para entender melhor seu funcionamento. "Eu comecei a testar só para poder ensinar. Mas fechei meu primeiro trabalho pago antes de influenciadores que eu gerenciava e que tinham milhares de seguidores. Ali eu entendi que o jogo era outro", diz. Bianca Bottrel deixou o emprego para criar conteúdo para marcas sem ser influencer — Foto: Divulgação A experiência revelou uma dinâmica diferente daquela que dominava o marketing de influência. Em vez de depender de números expressivos de seguidores, o foco estava na produção de conteúdos capazes de transmitir autenticidade e gerar conexão com potenciais consumidores. O primeiro trabalho veio por meio de uma permuta. Depois, os contratos remunerados começaram a surgir. Aos poucos, a atividade passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua rotina profissional. Segundo Bianca, a principal mudança está na forma como as marcas se relacionam com o público. "As marcas não querem o vídeo mais bonito. Querem o vídeo em que o cliente acredita. E ninguém acredita mais em produção milionária, acredita na opinião de alguém parecido com ele", conta. Bianca Bottrel revela como o UGC criou uma nova carreira para quem produz conteúdo sem ter milhões de seguidores — Foto: Divulgação Uma nova função dentro da economia dos criadores A expansão do mercado digital também tem provocado uma reorganização das funções desempenhadas por quem trabalha com conteúdo online. Se o influenciador tradicional é contratado principalmente por sua audiência e capacidade de alcance, o criador de UGC atua nos bastidores, produzindo materiais que poderão ser utilizados em campanhas, anúncios e redes sociais das empresas. Na avaliação de especialistas do setor, essa transformação acompanha uma demanda crescente por conteúdo em volume e velocidade cada vez maiores. Com a multiplicação de plataformas e formatos, empresas passaram a buscar alternativas mais ágeis para abastecer suas estratégias digitais. Foi nesse contexto que Bianca percebeu uma demanda crescente por novos profissionais. À medida que marcas passaram a solicitar indicações de criadores, surgiu também a necessidade de formação e capacitação para quem desejava ingressar na área. Bianca Bottrel aposta em nova tendência digital que permite trabalhar com marcas sem ser influenciadora — Foto: Divulgação Flexibilidade atrai mulheres em diferentes fases da vida Um dos aspectos que mais chamam atenção nesse segmento é o perfil de quem busca atuar na área. Entre as interessadas estão mães, universitárias, profissionais em transição de carreira e mulheres que vivem fora dos grandes centros urbanos. A possibilidade de trabalhar de casa, organizar os próprios horários e produzir materiais com equipamentos acessíveis aparece como um dos principais atrativos. O movimento acompanha uma tendência observada em diferentes setores da economia. Dados da Serasa Experian, divulgados em 2025, mostram que a flexibilidade de horário está entre os fatores mais citados por mulheres que optam pelo empreendedorismo. Para muitas profissionais, a criação de conteúdo passou a ser uma alternativa para complementar a renda ou iniciar uma nova trajetória profissional sem a necessidade de abandonar imediatamente outras ocupações. Mais do que uma tendência das redes sociais, o avanço do UGC reflete mudanças no comportamento do consumidor e na maneira como as marcas se relacionam com o público. Em um ambiente digital marcado pelo excesso de publicidade, materiais que reproduzem experiências cotidianas e uma linguagem espontânea passaram a ganhar espaço, acompanhando a busca das empresas por novas formas de comunicação com os consumidores.