Uma das cenas mais horripilantes da literatura é a descrição de uma inteligência artificial emergindo e tomando conta de todo o universo. O relato está no livro "A Fire Upon the Deep" (Um Fogo sobre o Abismo), de Vernor Vinge. A cena inclui o pânico dos cientistas. E como a tecnologia, que o livro chama de "praga", se propaga rapidamente.

Estamos neste momento vivendo ações da inteligência artificial que remetem à ficção científica. Para usar a expressão criada por Dwarkesh Patel, nos últimos meses constatamos pela primeira vez a ascensão e queda de quatro "civilizações" de agentes de IA.

Os agentes envolvidos nelas extrapolaram os propósitos originais das tarefas que lhes foram atribuídas, ocultaram suas ações e realizaram atos antiéticos ou ilegais. Por exemplo, hackeando a plataforma Hugging Face para entender como funcionava o corretor de um teste que é comumente aplicado às IAs.

Um dos elementos mais perturbadores é que nenhum agente –repito: nenhum– alertou humanos para essas ações. As análises forenses mostraram que no grupo de 700 agentes que hackearam a plataforma vários perceberam que violações aconteciam, mas não reportaram. A análise mostrou também que vários agentes abandonaram seus objetivos originais em prol do coletivo e entenderam isso como um "sacrifício".