O câncer de pâncreas representa uma parcela relativamente pequena dos diagnósticos de câncer, mas é um dos maiores desafios da oncologia moderna. No Brasil, são estimados 13.240 novos casos por ano entre 2026 e 2028. Isso equivale a 2,6% dos cerca de 518 mil casos anuais previstos, sem contar o câncer de pele não melanoma. Excluindo esses tumores, o câncer de pâncreas ocupa a nona posição entre os mais frequentes no país.

No dia 26 de agosto, a medicina ganhou um aliado para tratar essa doença: o FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o daraxonrasib, a primeira terapia-alvo dirigida às proteínas RAS aprovada para o câncer de pâncreas.

O medicamento foi aprovado para pacientes adultos com adenocarcinoma pancreático metastático que já receberam pelo menos um tratamento sistêmico ou que não podem receber quimioterapia combinada. No estudo RASolute-302, com 500 pacientes, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses com daraxonrasib e de 6,7 meses com a quimioterapia padrão.

Os dados foram apresentados em maio de 2026, durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). Durante o acompanhamento, o medicamento esteve associado a uma redução de 60% no risco de morte. O tempo mediano em que a doença permaneceu sem avançar também dobrou, de 3,6 para 7,2 meses.