O câncer de pâncreas sempre ocupou um lugar à parte entre os tumores mais temidos da oncologia. Além de ser frequentemente diagnosticado em estágios avançados, a doença apresenta alta capacidade de disseminação precoce e, durante décadas, resistiu às principais estratégias terapêuticas desenvolvidas pela medicina.

Por isso, os resultados apresentados na reunião anual da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica) de 2026 foram recebidos como um marco histórico. O estudo internacional de fase 3 RASolute 302 mostrou que o daraxonrasib, uma terapia-alvo oral que atua sobre a via molecular da proteína RAS, reduziu em cerca de 60% o risco de morte de pacientes com câncer de pâncreas metastático previamente tratado e praticamente dobrou a sobrevida global em comparação com a quimioterapia padrão.

Remédio contra câncer de pâncreas quase dobra sobrevida global de pacientes, diz estudo

A proteína RAS é um interruptor molecular dentro das células que controla o crescimento, a divisão e a sobrevivência celular. Quando mutada, a RAS fica permanentemente "ligada", promovendo a multiplicação celular descontrolada que gera o câncer. Terapias-alvo bloqueiam essa via para impedir o avanço do tumor.