Os movimentos LGBTQIA+ tiveram tantas conquistas nos últimos anos que, muitas vezes, as pessoas tendem a imaginar que assumir a homossexualidade já não é mais um tabu. Mas ainda hoje, mesmo em lares com gente liberal e esclarecida, existe grande resistência, e a situação é ainda pior no caso em que a própria pessoa não consegue se aceitar.
"The Basics of Philosophy", do diretor veterano Paul Schrader, mostra que as coisas não são ainda tão simples e que, para os gays enrustidos, as constantes tentativas de levar uma vida na "normalidade" costumam configurar um simples autoengano.
Exibido nesta sexta numa mostra fora da competição principal do Festival de Veneza, na Itália, o filme acompanha um professor universitário de filosofia, especialista em Espinoza, que tem um namoro morno com uma colega de trabalho, mãe de um adolescente. Alguma coisa vai mal no romance, mas ainda assim o casal insiste, com planos até para se casar.
Interpretado por Jack Huston, neto do diretor John Huston, o professor propõe aos alunos uma questão que ele próprio rumina há anos —o ser humano é capaz de mudar? Ou tudo acaba, cedo ou tarde, se resumindo ao essencial programado pela natureza —e o uso da razão para guiar nossas atitudes, no fim das contas, de nada serve?










