Candidatos ao governo do Rio recorrem cada vez mais ao Tribunal Regional Eleitoral para derrubar as peças dos adversários 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio pelo PSD — Foto: Foto: Reprodução/Valor A disputa pelo governo do Rio de Janeiro tem levado os três principais candidatos na corrida a concentrar esforços em trocar acusações entre si. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), Douglas Ruas (PL), e o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) têm se atacado mutuamente nas propagandas eleitorais na TV e nas redes sociais. Diante dos ataques, os postulantes recorrem cada vez mais ao Tribunal Regional Eleitoral fluminense (TRE-RJ) para derrubar as peças dos adversários. Enquanto Paes e Ruas miram suas armas um para o outro, apontando padrinhos políticos considerados tóxicos e se acusando de serem parte da “velha política que levou o Rio ao estado em que se encontra hoje”, Garotinho prefere fazer críticas mais veladas na TV, onde tem pouco tempo de exibição, e deixa a retórica mais virulenta para suas redes. Já no terceiro dia de propaganda eleitoral na televisão e na rádio, Paes trouxe um programa focado exclusivamente em Ruas — a quem o ex-prefeito chama de “príncipe herdeiro” do ex-governador Cláudio Castro (PL), condenado por abuso de poder político e econômico pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e investigado nos âmbitos do caso Master e da Refit. No vídeo, que utiliza quase todos os cinco minutos a que Paes tem direito no horário eleitoral gratuito, Ruas é acusado de enriquecimento rápido através da máquina pública, sobretudo por meio da prefeitura de seu pai, o prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL). Na propaganda, veiculada na quarta-feira (2), Paes também associa o adversário ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso preventivamente desde março por suspeitas de vazar informações sigilosas para evitar a prisão do ex-deputado TH Joias, acusado de ser o braço político do Comando Vermelho. No fim da tarde desta sexta-feira (4), o TRE-RJ acolheu uma ação de Ruas contra a propaganda de Paes e obrigou a retirada da peça de circulaçã A propaganda de Paes contra Ruas faz parte da estratégia do ex-prefeito de colar no presidente do Parlamento estadual a rejeição de ex-aliados dele. Ruas foi secretário de Cidades de Castro durante quase toda a última gestão do ex-governador e apoiou Bacellar na época em que o ex-chefe da Alerj era apontado como possível postulante ao Palácio Guanabara, antes de sua derrocada. O objetivo da campanha de Paes é aproveitar que Ruas ainda é desconhecido por grande parte do eleitorado fluminense e apresentá-lo apenas de forma negativa, para que seu grau de conhecimento pelo eleitor aumente junto com sua rejeição. A estratégia do ex-prefeito é similar à de Ruas, que também aposta em reforçar a rejeição do adversário — de acordo com a última Quaest, Paes é segundo candidato mais rejeitado na corrida, atrás apenas de Garotinho. Nesta sexta-feira (4), a propaganda de Ruas na TV revidou as acusações de Paes e fez referência às citações do ex-prefeito nas investigações da Lava-Jato. Na peça, o presidente da Alerj o chama de “nervosinho”, forma como Paes apareceu citado em planilhas da empreiteira Odebrecht. O candidato bolsonarista ainda acusa o oponente de só governar para o “Rio das novelas” — isto é, para a zona sul do Rio —, traçando paralelo do “Rio real”, mote da campanha de Ruas. Garotinho, por sua vez, é quem tem menos tempo de televisão entre os três. Por isso, a campanha tem se preocupado mais em usar o horário eleitoral para apelar para a memória da gestão do ex-governador, relembro políticas adotadas pela administração dele. Nas redes, porém, a conduta é outra, e Garotinho se concentra em atacar os adversários. Em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, atrás de Paes e Ruas, Garotinho direciona seus ataques aos dois, enquanto o ex-prefeito e o presidente da Alerj preferem ignorar o ex-governador. Para intensificar as acusações, o ex-chefe do Guanabara reativou até mesmo seu antigo blog, onde publica supostas investigações contra o entorno de seus oponentes. Procuradas, as campanhas de Ruas e Paes não quiseram comentar. A de Garotinho, por sua vez, não respondeu.