O presidente da Colômbia está sentado a uma mesa, cercado por autoridades militares e policiais, apresentando o que descreve como prova de uma operação bem-sucedida. Mas as fileiras à sua frente não são de caixas de cocaína ou armas apreendidas. São cadáveres.
Vestindo o mesmo verde-escuro das autoridades militares que o acompanham, Abelardo de la Espriella aparece em um vídeo publicado na quarta-feira (2) em sua conta no X caminhando ao lado de sacos mortuários brancos que, segundo ele, contêm os restos mortais de rebeldes.
O vídeo foi uma manifestação particularmente contundente de uma tática política cada vez mais visível nas Américas: líderes que fazem campanha com um discurso de lei e ordem, usando imagens de supostos criminosos como espetáculo do poder do Estado.
Especialistas afirmam que essas imagens refletem uma tendência regional de tratar pessoas classificadas como terroristas como inimigos que não merecem as garantias do devido processo legal. Eles apontaram a decisão do governo de Donald Trump de designar narcotraficantes como terroristas e fazer ataques militares no Caribe, que mataram mais de 200 pessoas, como parte dessa mudança.
Trump tem divulgado vídeos de operações de imigração, às vezes acompanhados de músicas populares. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, transformou imagens de presos em parte de sua estratégia de segurança, divulgando vídeos de detentos tendo a cabeça raspada e sendo conduzidos em marcha para a prisão.











