Autoridades iranianas disseram que cinco pessoas morreram no incidente e que quase 70 ficaram feridas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma pessoa passa por destroços, vistos através de uma janela quebrada, no local onde, segundo a mídia iraniana, um ataque dos Estados Unidos atingiu uma casa onde era realizada uma festa de casamento na noite de terça-feira, 1º de setembro, em Kuhestak, no sul do Irã — Foto: AP/Vahid Salemi O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou na quinta-feira que o país estava investigando um ataque mortal contra um casamento no Irã no início desta semana que, segundo uma análise publicada pela Reuters, provavelmente foi resultado de um impacto direto de uma munição americana. Uma explosão que atingiu uma festa de casamento no sul do Irã na terça-feira provavelmente foi resultado do impacto direto de uma munição americana, e não de um ricochete após atingir outro alvo, segundo uma análise feita na quinta-feira por especialistas em armamentos que examinaram imagens e vídeos verificados pela Reuters. Os EUA não assumiram responsabilidade pelo incidente até o momento. O governo do presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão da opinião pública interna para encerrar uma guerra que pesa sobre seus índices de aprovação antes das cruciais eleições de meio de mandato de novembro. A televisão estatal iraniana informou na quinta-feira que uma mulher de 22 anos morreu no hospital após o ataque que atingiu uma casa durante um casamento, elevando para cinco o número de mortos relatado. Autoridades iranianas disseram que quase 70 pessoas ficaram feridas. Pessoas se reuniram no fim da tarde de quinta-feira nos arredores da vila de Kuhestak, no condado de Sirik, ao longo de um trecho da costa do Estreito de Ormuz que foi alvo de intensos ataques aéreos americanos na noite de terça-feira, para lamentar a morte de seus entes queridos. Vance disse a jornalistas na quinta-feira que os EUA estavam analisando o incidente. “Estamos investigando porque, obviamente, nos importamos. Queremos saber”, afirmou. “Se cometemos erros, mais uma vez, esta é uma grande diferença entre nós e o Irã: quando nossas Forças Armadas cometem erros, elas aprendem com eles para tentar melhorar”, acrescentou Vance. As Forças Armadas dos Estados Unidos disseram estar cientes dos relatos iranianos, mas afirmaram que “nunca têm civis como alvo”. Uma autoridade americana, que falou sob condição de anonimato, disse que o governo analisa vários cenários relacionados às vítimas do casamento, incluindo a possibilidade de terem sido atingidas por um ataque dos Estados Unidos, por algum tipo de ricochete de um míssil de defesa aérea iraniano ou por um próprio míssil interceptador que tenha se desviado. A Reuters compartilhou vídeos e imagens do incidente com quatro especialistas militares em armamentos, que disseram que os danos eram compatíveis com um impacto direto, e não com danos secundários causados por uma munição que tivesse ricocheteado após atingir outro alvo. Três dos especialistas disseram que a munição provavelmente era uma arma americana, e não um míssil de defesa aérea iraniano que tivesse se desviado. Um dos especialistas afirmou que a arma pode simplesmente ter errado seu alvo. O ponto de impacto é visto no telhado de um prédio que, segundo a mídia iraniana, foi atingido por um ataque dos Estados Unidos enquanto uma festa de casamento era realizada no local na noite de terça-feira, 1º de setembro, em Kuhestak, no sul do Irã — Foto: AP/Vahid Salemi O incidente ocorreu cerca de seis meses depois de um míssil destruir uma escola primária em um episódio que, segundo autoridades iranianas, matou mais de 175 crianças e professores. A Reuters informou anteriormente que uma investigação interna preliminar das Forças Armadas dos Estados Unidos indicou que as forças americanas provavelmente foram responsáveis por aquele ataque. O Pentágono não divulgou publicamente as conclusões de sua investigação. Luto pelas vítimas No funeral realizado na quinta-feira para quatro vítimas do casamento, um vídeo da agência de notícias iraniana Mehr mostrou uma caminhonete transportando um caixão coberto por uma bandeira sob uma cobertura de folhas de palmeira. Um repórter diante do veículo afirmou: “Este é o corpo do mártir Amir-Mohammad Karimi, uma criança de 4 anos que foi martirizada em um ataque ao sul do país pelo criminoso regime americano.” Em outras imagens do funeral, pessoas jogavam pétalas para o alto enquanto uma música fúnebre tocava em um alto-falante. Um caixão foi carregado diante de uma fileira de soldados em posição de sentido, portando fuzis. “Se fosse um local militar, não seria tão doloroso. Era uma cerimônia de casamento, mas eles transformaram a alegria das pessoas em luto”, afirmou um morador local, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim. Washington lançou os ataques aéreos na terça-feira, atingindo o que afirmou serem alvos militares ao longo da costa, em retaliação a ataques iranianos contra embarcações no Estreito de Ormuz. A repentina escalada da guerra com o Irã provocou uma disparada dos preços do petróleo para níveis não vistos desde julho. O Irã informou que 18 pessoas morreram na mais recente ofensiva americana. Teerã respondeu na quarta-feira aos ataques dos Estados Unidos com ofensivas contra bases americanas no Iraque, Jordânia, Catar, Kuwait e Bahrein e realizou novos ataques no início da quinta-feira, afirmando que tinha como alvo outra base americana, no Kuwait. EUa e Irã trocam ataques após semanas de relativa desescalada de tensões — Foto: Reprodução/Centcom/X As Forças Armadas do Kuwait disseram que suas defesas aéreas interceptaram mísseis e drones. Depois disso, porém, a maior escalada da guerra desde julho pareceu perder força, sem relatos de novos grandes ataques de nenhum dos lados na quinta-feira.