Apesar da cautela global diante da possibilidade de aumento de juros pelo Fed, quadro político local mais favorável a uma vitória da oposição nas eleições dá sustentação à queda das taxas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Renda fixa supera cautela pós-‘payroll’ e juros futuros recuam — Foto: RDNE/Pexels Os juros futuros operam em queda na tarde desta sexta-feira (4), revertendo o movimento de alta que veio com a pressão do exterior, após a criação líquida de empregos acima do esperado nos Estados Unidos em agosto, conforme mostrou o “payroll”, o relatório oficial do mercado de trabalho do país. Apesar da cautela global diante da possibilidade de aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed), o quadro político local mais favorável a uma vitória da oposição nas eleições à Presidência de outubro dá sustentação à queda das taxas, em meio ainda a relatos de um retorno da participação de investidores estrangeiros na renda fixa doméstica. Por volta de 13h20, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 operava estável ante o ajuste da véspera, a 13,565%; a do DI de janeiro de 2028 tinha leve queda de 13,595% a 13,565%; a do DI de janeiro de 2029 recuava de 13,885% para 13,825%; e a do DI de janeiro de 2031 cedia de 14,14% a 14,065%. Embora o noticiário político esteja no foco dos agentes, houve também uma melhora no mercado de Treasuries, o que ajudou a tirar pressão dos juros futuros. No horário mencionado, a taxa da T-note de dez anos exibia leve queda de 4,773% a 4,768%, bem distante da máxima de 4,807% observada logo após o payroll. O mercado de trabalho americano registrou uma criação líquida de 162 mil empregos em agosto, bem acima das 52 mil vagas projetadas pelo mercado, ao passo que a taxa de desemprego manteve-se em 4,1% e o salário médio pago por hora cresceu 0,3% ante julho, em linha com o esperado. Os dados alimentaram a perspectiva de um aumento da taxa dos Fed funds neste mês, conforme mostra o levantamento do CME Group, que aponta 60,4% de chance de uma alta de 0,25 ponto percentual no próximo dia 16 - de 52,4% pela manhã. Já a probabilidade de manutenção do juro básico americano caiu de 47,6% a 39,6% na mesma comparação. A princípio, o ambiente externo provocou algum estresse na renda fixa doméstica e os juros futuros subiram durante boa parte da manhã, ainda que a um ritmo moderado. A tendência se inverteu à medida que o mercado voltou a atentar para o quadro político local, que, na visão dos agentes, tem se mostrado mais inclinado a uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o presidente Lula (PT) nas eleições do mês que vem. Ontem, a nova pesquisa Datafolha corroborou a tese de um pleito acirrado ao mostrar uma vantagem de apenas dois pontos percentuais de Lula sobre Flávio (46% contra 44%) nas intenções de voto em um eventual segundo turno, diferença que fica dentro da margem de erro do levantamento e, portanto, coloca os candidatos em empate técnico. A euforia dos últimos dias provocada pelo quadro eleitoral fez com que investidores estrangeiros voltassem a tomar posições aplicadas (que apostam na queda das taxas) no mercado de juros prefixados, de acordo com relatos de operadores de renda fixa. “Nossos dados de fluxo mais recentes mostraram que os investidores estrangeiros acumularam quase US$ 700 mil em DV01 (métrica de risco embutido no mercado) em posições aplicadas nos últimos dois dias, concentradas principalmente no segmento de prazo longo e, em grande parte, na NTN-F [com vencimento em] 2031. Em outras palavras, parece que os estrangeiros estão realmente negociando movidos por um certo sentimento de FOMO (sigla para “fear of missing out”, ou medo de ficar de fora, em tradução livre)”, relata um operador de renda fixa de um banco local.