Mudanças como ressecamento, desconforto e perda de volume podem surgir ao longo da vida; especialista explica quando esses sinais merecem atenção 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Saúde íntima: o que muda com a idade e quando é hora de procurar ajuda — Foto: Magnific Falar sobre saúde sexual também significa falar sobre mudanças no corpo que podem afetar conforto, autoestima e vida íntima. No Dia Mundial da Saúde Sexual, celebrado em 4 de setembro, a discussão ganha ainda mais espaço em 2026 com o tema "Every Body", escolhido pela World Association for Sexual Health. A proposta amplia o olhar para questões como corpo, prazer, intimidade e bem-estar, incluindo transformações que podem surgir com o envelhecimento, a menopausa, alterações hormonais e o pós-parto. Ressecamento, perda de volume, atrito e desconforto durante atividades físicas ou relações sexuais estão entre as queixas que podem aparecer ao longo da vida. Nesse contexto, procedimentos que por muito tempo foram associados principalmente à estética passaram a fazer parte também das conversas sobre saúde íntima. Segundo a médica Fabiane Gama, da Clínica Leger e referência em ginecologia regenerativa, não é raro que uma paciente procure o consultório por uma questão estética e, durante a conversa, revele incômodos relacionados ao próprio bem-estar. "As mulheres chegam até mim por caminhos diferentes, mas quase sempre existe um ponto em comum: algo deixou de ser confortável. Muitas vêm pela estética, é verdade, mas, quando conversamos, aparecem questões relacionadas ao bem-estar, ao pós-parto, à menopausa ou à própria vida sexual", afirma. A avaliação pode considerar diferentes abordagens, dependendo da queixa. O laser de CO₂, por exemplo, aparece em alguns protocolos voltados à região íntima. Já a labioplastia pode ser indicada em situações específicas envolvendo excesso de tecido ou assimetrias dos pequenos lábios, especialmente quando há atrito ou desconforto. A capuzplastia, por sua vez, envolve a região do capuz clitoriano. "Existe paciente que chega incomodada esteticamente e, durante a conversa, conta que sente atrito com determinada roupa, desconforto para praticar atividade física ou dor durante a relação. É por isso que a avaliação precisa vir antes de qualquer procedimento", diz. Os tratamentos injetáveis também passaram a fazer parte desse universo. Em casos selecionados, o ácido hialurônico pode ser utilizado para reposição de volume dos grandes lábios, enquanto os bioestimuladores de colágeno têm como proposta estimular a produção dessa proteína e melhorar aspectos como firmeza e qualidade do tecido. "Assim como outras regiões do corpo mudam com a idade e com as alterações hormonais, a região íntima também passa por transformações. O mais importante é entender o que mudou e o que realmente incomoda aquela paciente antes de indicar qualquer tratamento", avalia. Isso não significa, no entanto, que todo desconforto precise ser tratado com um procedimento. Ressecamento, dor, irritação e outras alterações podem estar relacionados a mudanças hormonais, infecções, doenças dermatológicas ou outras condições ginecológicas. Por isso, a investigação da causa deve vir antes de uma decisão sobre qualquer intervenção. O próprio uso do laser de CO₂, por exemplo, depende de indicação individual e da avaliação dos sintomas e das condições de saúde da paciente. A escolha da técnica, quando necessária, deve levar em conta a origem da queixa e o que se pretende melhorar. Para Fabiane, ampliar essa conversa é parte importante do cuidado. Muitas mulheres ainda deixam de procurar ajuda por vergonha ou por acreditarem que determinados desconfortos são inevitáveis. "Por muito tempo, cuidar da saúde íntima foi tratado como vaidade excessiva, ou simplesmente silenciado pela vergonha. Muitas mulheres conviviam com desconforto por anos sem saber que havia solução. O que mudou não foi só a tecnologia, foi a informação. Quando a mulher entende que cuidar da própria intimidade é saúde, e não tabu, ela se sente no direito de buscar esse cuidado", conclui.