Um prédio no Brás, em São Paulo, que guarda um verdadeiro patrimônio histórico e cultural recebeu, na quinta-feira 27, a visita do Conselho Nacional dos Direitos Humanos. Utilizado pela ditadura para prender perseguidos políticos – como José Genoino e Rita Lee – e, depois, aproveitado como locação para filmes como O Beijo da Mulher-Aranha, o antigo Presídio do Hipódromo tem hoje sua preservação disputada. Vendido pelo Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo para a Cury Construtora, em setembro de 2025, pelo valor de 23 milhões de reais, o imóvel de 4,5 mil metros quadrados está sob risco de demolição. Em maio, a Justiça de São Paulo suspendeu, via decisão liminar, o processo de demolição deferido pela prefeitura de São Paulo. Um recurso do governo do Estado contra a liminar foi negado em julho, enquanto um recurso do FIISP aguarda julgamento.
Coordenada pelo conselheiro Carlos Nicodemos, a visita ocorreu a partir de demandas apresentadas por movimentos sociais e organizações da sociedade civil que defendem a preservação do local como espaço de memória e centro cultural, entre eles o Grupo Tortura Nunca Mais, o Coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça, o Núcleo Memória e o Instituto Vladimir Herzog. Além de avaliar a situação do espaço, a inspeção visa criar um relatório informativo para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Após a notícia da venda do imóvel divulgada por este repórter em agosto de 2025, a assessoria da vereadora Amanda Paschoal (PSOL) ajuizou uma ação popular em conjunto com ex-presos políticos e, ao lado do vereador Nabil Bonduki (PT), enviou requerimentos de tombamento do edifício para órgãos de preservação patrimonial. No fim de novembro, a Bancada Feminista de vereadoras do PSOL protocolou ação similar, objetivando suspender atos de alienação, transferência ou descaracterização do imóvel.






