Presidente da Casa reclama de 'ofensas' e 'agressões' após virar alvo por resistir a impeachment de ministro do STF e diz que parlamentares exploram embate em busca de votos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alexandre de Moraes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e Davi Alcolumbre — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se queixou de colegas em discurso no plenário nesta quinta-feira após virar alvo de uma ofensiva de parlamentares por resistir aos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem citar nominalmente os autores das críticas, Alcolumbre reclamou de “ofensas” e “agressões”, acusou colegas de explorarem o embate para ganhar votos nas eleições e afirmou que falta aos adversários apresentar propostas para o país. — Se eu fosse só um senador, falaria muita coisa naquele microfone aqui, inclusive contra colegas nossos que ficam fazendo ataques só para ganhar eleição: “Vota em mim, que eu tive coragem de agredir o presidente Alcolumbre”. É muito difícil o que estamos vivendo. O que estão fazendo com a honra das pessoas é inimaginável — afirmou. A declaração ocorre após as novas revelações envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na terça-feira, veio à tona um relatório da Polícia Federal com uma sequência de mensagens enviadas pelo banqueiro ao ministro durante a crise da instituição, nas quais Vorcaro buscava informações e fazia pedidos diante do avanço das investigações e do risco de liquidação do banco. Alcolumbre já sinalizou a aliados que não pretende dar andamento, neste momento, aos pedidos de impeachment de Moraes e, na quarta-feira, saiu publicamente em defesa do ministro ao rebater cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. Nesta quinta, o presidente do Senado afirmou que tem sido alvo diário de ataques e ressaltou a posição institucional que ocupa à frente do Legislativo. — É muito comum que as pessoas atrás dos celulares não vejam o que fazemos para o Brasil. Já desabafei aqui sobre as ofensas que recebo todos os dias. É muita ofensa e agressão e não conseguimos nos defender. As pessoas falam o que querem — disse. — — Nós somos três chefes de Poderes nesse país, e eu sou o chefe de um Poder, eleito pelo voto popular. Alcolumbre também atribuiu as críticas à proximidade das eleições, cujo primeiro turno será realizado em 4 de outubro, e disse que adversários têm privilegiado ataques pessoais em vez da apresentação de propostas. — Só está piorando. E a piora disso vai se agravar porque querem ganhar, dia 4, a eleição. Eu gostaria de ouvir uma proposta sobre o futuro da educação no Brasil, do transporte, para tirar as carretas das estradas, para os portos funcionarem melhor, para nossa agricultura ser fortalecida. Não tem proposta para o Brasil, tem proposta para a eleição — afirmou. Pressão após defesa de Moraes Na quarta-feira, ao ser cobrado pelo avanço dos pedidos de impeachment, Alcolumbre respondeu citando o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro com recursos de Vorcaro. — Eu vou voltar para a pauta porque, senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar: todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes — disse. A fala foi uma referência indireta a Flávio, que havia cobrado Alcolumbre no plenário na véspera. Mensagens entre Flávio e Vorcaro indicam que o banqueiro repassou R$ 61 milhões, dos R$ 130 milhões pedidos, ao fundo americano que administrava os recursos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, em setembro do ano passado. Nesta quinta, a ofensiva passou a mirar também a permanência de Alcolumbre no comando da Casa. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) anunciou ter apresentado uma denúncia no Conselho de Ética contra o presidente do Senado e afirmou que a representação abre caminho para a análise de seu afastamento provisório do cargo.