0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Antiga maternidade e nova torre com jardim vertical compõem o hotel Rosewood São Paulo — Foto: Divulgação A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está se preparando para acusar a Gafisa e um dos seus ex-executivos em novo processo sancionador, apurou a coluna. A acusação nasceu de investigação a partir do anúncio feito pela incorporadora, ainda em 2021, de que estava entrando no projeto Cidade Matarazzo por meio da compra de suítes privativas no hotel Rosewood, em São Paulo. O processo é do tipo sancionador — ou seja, tem acusação formulada e vai a julgamento, caso a companhia não ofereça proposta de acordo que seja aceita pelo órgão. A coluna apurou que a peça acusatória já foi assinada, mas ainda aguarda parecer da Procuradoria Federal Especializada (PFE) que atua na CVM. Após esse aval, o órgão deve começar a citar os acusados. Além da Gafisa, será acusado o executivo que era diretor-financeiro da Gafisa em março de 2021, Ian Andrade. Os técnicos da CVM consideram que a companhia divulgou de forma incompleta a transação na ocasião. A entrada da Gafisa — na qual Nelson Tanure dava as cartas — no Cidade Matarazzo ainda hoje é cercada de mistérios. A incorporadora só passou a informar que aquela transação somou R$ 83,4 milhões depois daquele fato relevante inicial. Depois de certo período, a companhia parou de fazer referência a essa participação nesse empreendimento em seus documentos regulatórios, sem que nunca tenha havido divulgação de venda daquelas suítes. Nos últimos anos, a companhia passou a dar foco ao projeto Allard Oscar Freire, lançado em 2024 em parceria com Alexandre Allard, justamente o idealizador do Cidade Matarazzo. Allard tinha relação conflituosa com a Chow Tai Fook (CTF), holding de Hong Kong que controla o Rosewood em São Paulo. Depois da associação entre Gafisa e Allard, a firma asiática processou a incorporadora, acusando-a de reproduzir elementos estéticos, conceituais e arquitetônicos do Cidade Matarazzo no Allard Oscar Freire.