Investidores vão focar obras atrasadas Foto: Divulgação A Gafisa, que atravessa uma crise financeira severa, está negociando com investidores uma injeção de dinheiro para a conclusão de obras, apurou a Coluna. A dívida de projetos gira em torno de R$ 500 milhões, segundo fontes.PUBLICIDADEA tratativa é para que o aporte ocorra diretamente nas Sociedades de Propósito Específico (SPEs) constituídas para abrigar os ativos e passivos de cada empreendimento imobiliário, sem comunicação com a dívida corporativa. Em troca, o potencial investidor receberia participação nas SPEs, ou um conjunto de apartamentos como forma de pagamento.A Gafisa tem seis obras abertas, quase todas problemáticas. O residencial We Sorocaba, em Botafogo, Rio de Janeiro, está parado desde 2025 e já teve a entrega postergada três vezes. Situação semelhante acontece com o Canto, na região do Arpoador.Em São Paulo, o residencial Evolve Vila Mariana seria entregue ano passado, mas a obra também parou. Os empreendimentos Invert Campo Belo e Vinci Moema acumulam uma enxurradas de reclamações dos consumidores devido a atrasos na entrega e falta de comunicação da incorporadora.O outro canteiro aberto é do luxuoso Allard Oscar Freire, nos Jardins, mas não há informações sobre a evolução desta obra, pois a companhia deixou de divulgar o status dos seus projetos.PublicidadeProcurada, a Gafisa não concedeu entrevista. Ela alegou que está em período de silêncio devido à proximidade da divulgação do balanço do segundo trimestre. A publicação deveria ter ocorrido em agosto, mas foi adiada a pedido do auditor.Fontes que acompanham as tratativas contaram que a Gafisa procura, há meses, uma solução para o término das obras, o que passa pela injeção de recursos nos projetos, mas nem todos despertaram interesse de investidores devido aos passivos associados a distratos e multas por atraso. Uma possibilidade é que a negociação se afunile em torno de dois ou três projetos considerados ainda viáveis, mas, se confirmado, isso resolveria apenas parte do problema.A direção da Gafisa tem dito a investidores e acionistas que 2026 é um ano de transição, focada na entrega de projetos antigos e redução da dívida, sem perspectiva de lançamentos no curto prazo. O maior desafio está na dívida total, de R$ 1,6 bilhão, enquanto os recursos em caixa somam apenas R$ 306 milhões, conforme o balanço do primeiro trimestre. O que complica são os vencimentos de curto prazo. Da dívida total, R$ 672 milhões (41%) vencem até dezembro deste ano e R$ 697 milhões (43%) até o fim do ano que vem.O próximo balanço deve mostrar uma redução da dívida total após a empresa realizar um aumento de capital de R$ 200 milhões. O grosso disso não foi dinheiro vivo, mas sim a capitalização de dívidas de credores, como fornecedores e detentores de títulos. Além disso, a Gafisa foi forçada por decisão judicial a entregar o Hotel Praia Ipanema, avaliado em R$ 223 milhões, para saldar dívidas, em agosto. Paralelamente, a incorporadora negocia a venda da sua participação nos shoppings Fashion Mall e o Jardim Guadalupe, no Rio, para ganhar um respiro extra.Nesse período, suas ações derreteram na bolsa. Em um ano, a baixa foi de 98%, com as ações cotadas hoje em R$ 0,20, o que levou a empresa a propor um agrupamento de ações (o terceiro em cinco anos).Vale ler tambémPrédio mais alto de São Paulo fecha contrato com primeiro inquilino O Supremo e a reeleição: Não houve tempo para que o Lula 4 fosse a tábua de salvação de Moraes Títulos dos EUA perdem confiança; recompra não enfrenta a raiz do problema fiscalPublicidade