Caso ocorre em meio a tensão entre Berlim e Moscou, depois que a Alemanha atribuiu à Rússia um 'ataque híbrido' com drone contra aeroporto e identificou suspeitos com passaporte russo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Policiais alemães examinam carro em uma investigação em Berlim, em julho — Foto: John MacDougall / AFP A polícia alemã anunciou nesta quinta-feira a prisão de um homem de 38 anos e uma mulher de 28, ambos cidadãos búlgaros, suspeitos de lançar dispositivos incendiários contra um prédio em Munique que abriga várias empresas do setor de defesa. O caso ocorre em um momento de tensão nas relações entre a Alemanha e a Rússia, depois que Berlim atribuiu a Moscou a responsabilidade por um "ataque híbrido" com drones armados contra o Aeroporto Leipzig-Halle, no início de agosto. A Rohde & Schwarz, empresa de tecnologia que fornece equipamentos para as Forças Armadas da Alemanha e de outros países, confirmou à AFP que dispositivos incendiários foram encontrados perto de suas instalações na cidade do sul do país. Segundo a empresa, porém, sua sede "não foi afetada". — O complexo de edifícios abriga várias empresas de armamento, então presumimos que haja uma motivação política — disse o porta-voz da polícia alemã, que se recusou a fornecer detalhes sobre as empresas instaladas no local. As autoridades iniciaram uma busca e prenderam a dupla em um posto de gasolina em Munique. O governo alemão tem acusado a Rússia de recrutar "agentes de baixo escalão", em geral pessoas que recebem pequenas quantias em dinheiro e têm pouco treinamento. A Rússia está preparando "ativamente" ações de sabotagem contra a Dinamarca, em particular contra sua indústria de defesa, afirmou nesta quinta-feira o chefe do contraespionagem dinamarquês, Emil Graesholm. Segundo ele, os serviços de segurança russos tentam recrutar "dinamarqueses completamente normais" para missões que podem incluir fotografar, examinar e informar sobre as condições de acesso e segurança ao redor de instalações estratégicas. — Mencionamos os métodos porque não é necessário que se pareçam com os de um filme de espionagem — afirmou Graesholm, em entrevista ao jornal dinamarquês Berlingske. Desde 2024, a Dinamarca afirma que a ameaça russa aumentou por causa de seu apoio à Ucrânia. O país não é o único aliado de Kiev a acusar Moscou de interferência. A União Europeia já convocou o encarregado de negócios da Rússia em Bruxelas para prestar esclarecimentos sobre o caso de Leipzig, e a Alemanha anunciou o fechamento do consulado-geral russo em Bonn, última representação diplomática ativa no país, como retaliação. Escalada com Moscou A escalada de tensões com os aliados europeus da Otan acendeu dúvidas sobre um comportamento eventualmente agressivo de Moscou. Na quarta-feira, a imprensa alemã revelou que a polícia científica havia identificado, por meio de vestígios de DNA, dois homens suspeitos de transportar e preparar os drones usados no ataque de Leipzig — um deles com passaporte russo e nascido na Bielorrússia, o outro com passaportes russo e letão, apontado como responsável pela logística da operação. A acusação de Berlim contra Moscou, feita pelo ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, provocou reação do Kremlin. O presidente russo, Vladimir Putin, classificou a atribuição como um "erro grave" e sugeriu que o governo alemão buscava uma distração para problemas internos. O presidente russo, Vladimir Putin, participa de uma cerimônia de deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, durante o desfile do Dia da Vitória, em Moscou — Foto: Alexander Nemenoiv /AFP Em resposta, a União Europeia e a Otan prometeram reforçar a pressão sobre Moscou. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, citou justamente casos como "incêndios provocados em fábricas que produzem equipamentos de defesa para a Ucrânia" ao lado do ataque de Leipzig como exemplos do que chamou de atividade "imprudente" da Rússia contra o território aliado. — Se a Rússia acha que seremos divididos pelas ameaças ou se pensa que seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia, está enganada. Nossa unidade permanece inabalável — afirmou Rutte. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por sua vez, disse que o uso de material de grau militar por agentes russos em solo europeu é intolerável e representa "uma nova escalada" nos limites territoriais do bloco, prometendo que a Europa "não apenas manterá a pressão", mas vai "aumentá-la". Com AFP