Transparência Internacional aponta risco de interferências na apuração, enquanto instituto defende análise pelo plenário do STF e fim do sigilo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Entidades de combate à corrupção e de defesa da transparência pública cobraram uma investigação ampla e independente sobre as relações do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com autoridades dos Três Poderes. Em manifestações divulgadas nesta quarta-feira, a Transparência Internacional-Brasil e o Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) também defenderam que a apuração ocorra sem sigilo. A Transparência Internacional-Brasil classificou o episódio como um dos momentos mais graves da história institucional do país. Segundo a organização, as informações divulgadas sobre as relações entre Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e outras autoridades exigem uma apuração rigorosa. "O Brasil está diante de um dos momentos mais graves de sua história institucional. As informações que vieram a público sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e outras autoridades com o banqueiro Daniel Vorcaro revelam fatos cuja gravidade exige apuração imediata, independente e exaustiva", afirmou a entidade. A organização afirmou ainda haver motivos para preocupação com a independência das instituições responsáveis por investigar o caso e promover eventuais responsabilizações, como o próprio STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Senado e a Polícia Federal. Em nota, a Transparência Internacional também citou informações de que outros ministros do Supremo e integrantes de diferentes Poderes teriam mantido relações com pessoas, empresas ou interesses associados a Vorcaro e ao Banco Master. Além disso, alertou para o risco de as investigações serem contaminadas pela polarização eleitoral e pela disseminação de informações falsas. "Como ocorreu em outros momentos de ameaça à corrupção sistêmica, é previsível a mobilização de campanhas de desinformação, operações de construção de narrativas explorando a polarização política, ataques digitais coordenados e tentativas de deslegitimar e intimidar agentes públicos." O Instituto Não Aceito Corrupção, por sua vez, defendeu que as suspeitas apontadas em relatório da Polícia Federal sejam analisadas pelo plenário do STF. O processo está sob a relatoria do ministro André Mendonça. "Diante das suspeitas ali contidas, o único caminho possível para a preservação da instituição do STF é o exame da matéria pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, em respeito ao princípio da colegialidade", afirmou o instituto. Para o INAC, a apreciação coletiva do caso é necessária para garantir segurança jurídica e respeito ao devido processo legal. A entidade também pediu que o processo permaneça sem sigilo, diante do interesse público envolvido: "É imprescindível que, diante do princípio constitucional da publicidade, mantenha-se o caso tramitando sem sigilo, tendo em vista o interesse público nele contido, para garantir seu amplo monitoramento e fiscalização pela sociedade e pela imprensa nacional e internacional."