0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada e uma das contrapartidas costuma ser a devolução de ativos, o que o banqueiro resiste — Foto: Agência O Globo A Justiça Federal do Paraná encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação que pede para obrigar o Senado a informar os registros de entrada e saída do banqueiro Daniel Vorcaro na Casa Legislativa. O pedido foi feito pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR), e o despacho foi assinado no dia 20 de agosto pela juíza substituta Thaís Sampaio Machado. O parlamentar paranaense entrou com um mandado de segurança destinado ao senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa, após o Senado se recusar a apresentar as informações em resposta a um pedido formulado via Lei de Acesso à Informação (LAI). De acordo com Kilter, apesar de a recusa ter sido feita administrativamente pela Ouvidoria, o motivo de a Justiça Federal ter direcionado a ação a Alcolumbre é o fato de ele ser “a autoridade máxima da instituição”. Por isso, conforme a decisão, quem deve julgar a ação é o STF, o que torna a 1ª Vara Federal de Curitiba incompetente para seguir com o processo. “Seja na justiça federal ou no Supremo, é urgente que a população tenha acesso aos registros de entrada e saída dos gabinetes do Senado Federal dos principais atores do escândalo Master e INSS. Transparência deveria ser regra, não exceção. E é isso que estamos buscando com essa ação”, disse Kilter ao blog. Pedidos negados Em fevereiro deste ano, o Senado também recusou um pedido feito pelo equipe da coluna via Lei de Acesso à Informação que solicitava as mesmas informações. A postura colide com o posicionamento da Câmara dos Deputados e de outros órgãos, que já responderam a demandas semelhantes envolvendo as movimentações de Vorcaro. No mês anterior, em janeiro, o Senado já havia se negado a responder a outro pedido do blog, este sobre as entradas da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. A justificativa usada para negar o acesso aos dados se ancorava na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e em um decreto que regulamenta a LAI, de 2012, que trata do acesso a “informações pessoais relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem detidas pelos órgãos e entidades”. Em outro pedido similar da coluna, também formulado via Lei de Acesso à Informação, a Câmara informou que não constam registros de entrada de Vorcaro em suas instalações – mas ressaltou que o ingresso de pessoas com credencial de acesso ao Congresso Nacional, parlamentares e altas autoridades não são registrados no sistema de visitantes. Àquela altura, a Câmara não detalhou quem se encaixa no conceito de “altas autoridades”. Caso Master no Supremo Nesta terça-feira (1), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal encaminhado por ele à Procuradoria-Geral da República, que trata da troca de mensagens entre Moraes e o dono do Banco Master antes dele ser preso. O conteúdo obtido pela PF a partir de metadados do celular de Vorcaro mostrou, dentre outras coisas, que Moraes editou o contrato de prestação de serviços firmado entre o banco e o escritório de advocacia comandado por Viviane. A existência do acordo já havia sido revelada pelo blog em dezembro do ano passado. O contrato previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais pela defesa dos interesses do Master em Brasília. O valor total do acordo, assinado em janeiro de 2024, era de R$ 129 milhões, mas foram pagos R$ 80 milhões, já que Vorcaro foi preso antes do término das parcelas. Degustação milionária Alcolumbre foi uma das figuras que esteve na degustação de charutos e uísque promovida por Vorcaro em 2024, em Londres, durante um Fórum Jurídico patrocinado pelo Banco Master na Inglaterra. Ele também foi o responsável pela indicação do presidente do fundo de pensão dos funcionários do governo do Amapá, a Amprev, que comprou do Master R$400 milhões em títulos. Com a quebra do banco, esse dinheiro virou pó. A troca de mensagens revelada nesta terça-feira também mostrou que Vorcaro disse a Moraes que precisava da proteção de “Andrei e Paulo”, uma referência ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ambos também estiveram na degustação em Londres e, conforme divulgado pelo blog, Gonet chegou a demonstrar a Vorcaro a intenção de participar de um evento semelhante no ano seguinte, que acabou sendo cancelado. “Se o Andrei conseguir atrasar (a primeira fase da Operação Compliance Zero) pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu Vorcaro a Moraes uma semana antes da primeira prisão dele, em 17 de novembro de 2025, segundo informações publicadas pelo Estadão e confirmadas pela equipe da coluna. Daniel Vorcaro é dono do Banco Master 1 de 9 O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso em 18/11 pela PF — Foto: Ana Paula Paiva/Valor 2 de 9 O banqueiro foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar em um avião particular para o exterior — Foto: Ana Paula Paiva/Valor X de 9 Publicidade 9 fotos 3 de 9 PF apreendeu R$ 1,6 milhão em dinheiro em espécie durante operação que mira no Banco Master — Foto: Divulgação/PF 4 de 9 Itens de luxo apreendidos pela PF durante operação que prendeu dono do Banco Master — Foto: Divulgação/PF X de 9 Publicidade 5 de 9 Daniel cursou economia no Ibmec de Belo Horizonte, onde fez também um MBA em Finanças. — Foto: Ana Paula Paiva/Valor 6 de 9 Em 2016, Daniel entrou no mercado quando o Banco Máxima, de Saul Sabbá, enfrentava dificuldades e foi oferecido a ele, — Foto: Maria Isabel Oliveira X de 9 Publicidade 7 de 9 Vorcaro viralizou nas redes sociais por organizar uma festa para sua filha com presença de artistas internacionaias — — Foto: Ana Paula Paiva/Valor 8 de 9 O Banco Central efetuou a maior intervenção da história do país no conglomerado do Banco Master. — Foto: Maria Isabel Oliveira X de 9 Publicidade 9 de 9 Daniel namora a influenciadora digital Martha Graeff — Foto: Reprodução . Um dia antes do pedido para adiar a operação, o banqueiro também fez um desabafo ao ministro do Supremo: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, lamentou, segundo a investigação. CPMI do Master Conforme informou o blog, Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli pressionaram integrantes do Senado, especialmente Alcolumbre, para barrar a instalação da CPMI do Master. Os dois ministros e seus familiares possuem conexões com Vorcaro e, por isso, temem a abertura de uma nova frente de investigação no Congresso Nacional. Alcolumbre engavetou o pedido protocolado por parlamentares em fevereiro e ainda não leu o requerimento de criação da CPMI. O documento conta com o apoio de 281 parlamentares — 42 senadores e 239 deputados, mais que o número mínimo de assinaturas exigido para sair do papel.