Otto Lobo defende participação mais ampla de agentes do mercado nas discussões sobre tokenização e novas infraestruturas para negociação de valores mobiliários no país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, defendeu nesta quinta-feira (3) uma participação mais ampla de bancos e outros agentes do mercado nas discussões sobre tokenização e novas infraestruturas para negociação de valores mobiliários no país. Durante o Token Summit, em São Paulo, Lobo afirmou que pretende ampliar o diálogo com instituições financeiras para entender quais modelos podem ser adotados e até onde os participantes estão dispostos a avançar. “Eu quero muito ouvir os participantes de mercado cada vez mais”, afirmou. Ao citar conversas com Bradesco, Itaú e Santander, brincou que “tudo no Brasil, para dar certo, tem que ter banco”. Ao explicar por que considera importante a participação dos bancos, Lobo fez uma comparação com a Lei de Recuperação Judicial e Falências. Segundo ele, a legislação não funcionou como esperado inicialmente e precisou de ajustes.“A Lei de Recuperação Judicial e Falências, logo que saiu, não deu certo”, afirmou. “Mas quando entraram os bancos, com as melhores regras de governança, com o financiamento, aí os projetos andaram.” A autarquia criou recentemente um grupo de trabalho dedicado à tokenização, aberto à participação do mercado e com prazo inicial de 60 dias para as primeiras discussões. Segundo Lobo, a CVM pretende estimular o desenvolvimento dessa agenda, mas sem determinar qual modelo deverá prevalecer. “Não é a CVM que vai dizer ao mercado onde devem existir novos modelos de negócio”, afirmou. “A gente precisa de apoio e precisa também discutir, ouvir todos os participantes de mercado, para ver onde é que a gente vai avançar, qual é o apetite de avanço, qual é a visão… mas o papel da CVM é levar essa discussão a cabo”, disse. Lobo também defendeu a valorização institucional da CVM e citou a falta de um plano de saúde para os servidores como um dos problemas que ainda precisam ser resolvidos. “Em 49 anos da Comissão de Valores Mobiliários, nós não temos um plano de saúde”, afirmou. Segundo ele, a questão é “inegociável” e envolve a própria capacidade da autarquia de atrair e manter profissionais qualificados. Lobo também disse que a falta de recursos limitou a atuação da CVM nos últimos anos. “A gente fica lá na CVM enxugando gelo”, afirmou. Lembrou, no entanto, que agora a autarquia conta com mais recursos após o STF determinar que a maior parte da arrecadação da taxa de fiscalização será destinada à CVM. Otto Lobo, presidente da CVM — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado