Augusto Cury em encontro com evangélicos em SP — Foto: Divulgação O candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, disse que decidiu não antecipar nomes de sua eventual equipe de governo porque é contra a polarização e quer evitar “polêmicas”, mas prometeu convidar especialistas e privilegiar aspectos técnicos, em vez de critérios políticos, para compor uma gestão sua. Cury foi questionado na quinta-feira (3), durante agenda de campanha em São Paulo, sobre quem poderia conduzir o Ministério da Fazenda, num momento em que o presidenciável sobe nas pesquisas e é cobrado a indicar um porta-voz para a área. Ele respondeu que um anúncio “vai gerar uma série de polêmicas”, estimulando ataques à campanha e ativando a “radicalização política” que ele diz querer combater. Cury prometeu que, se for eleito, será o “técnico” e chamará notáveis para auxiliá-lo. Leia mais “Não é ‘o governo de Augusto Cury’. Eu quero que o técnico seja pequeno, mas o time seja um time de ouro para pacificar a nação, priorizando não partidos, mas especialistas para governar”, declarou, falando que o país será “governado sem ego”, caso ele vire presidente, e que buscará um pacto entre os três Poderes. “A minha mente tem o melhor do capitalismo: meritocracia, família, empreendedorismo, liberdade de expressão, um Estado mais enxuto. Mas meu coração é social”, disse Cury, após se reunir com pastores e lideranças da Assembleia de Deus Ministério do Belém, na capital paulista. Cury voltou a citar o ex-secretário do Tesouro e economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, e disse que “brincou” com ele sobre uma “convocação” para participar de uma gestão sua, caso seja eleito. O presidenciável relatou ter se encontrado no dia anterior com Mansueto e André Esteves, chairman e sócio sênior do banco, para uma conversa sobre o patamar “dramático” e “insuportável” da taxa básica de juros no país. Procurado, o BTG não comentou o assunto. “Nós falamos [sobre] como baixar essa taxa de juros. Ele [Esteves] está plenamente de acordo de que ela tem que baixar rápido e que o governo tem que ser responsável fiscalmente”, disse. Cury afirmou que tem usado o próprio exemplo, de alguém que “não depende do poder nem do dinheiro do poder”, para estimular quadros que possam servir ao país, atuando em uma eventual gestão sua. “Nós temos visto vários nomes para a economia. E eu não estou pedindo mais não, estou convocando. Ontem, brinquei com o Mansueto Almeida: vem cá, não estou pedindo, não. Eu estou te convocando.” Mansueto já foi citado publicamente outras vezes por Cury como um dos economistas que admira e que chamaria para o governo. Quando questionado, o economista confirma conversas eventuais com representantes de diferentes partidos e candidaturas, ressalvando que muitos desses contatos se resumem a trocas de ideias sobre a conjuntura e possíveis caminhos, sem estabelecer compromisso ou apoio. O candidato do Avante intensificou o diálogo com os setores financeiro e produtivo e tem sido aconselhado pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles. Ele disse que atua voluntariamente a convite do presidenciável, de quem se aproximou desde o ano passado. Se não deve, prove Cury disse considerar "muito triste" que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tenha evitado se pronunciar sobre a crise envolvendo seu nome e o do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e reiterou a cobrança para que o magistrado dê explicações. Segundo o candidato, se Moraes "não deve", cabe ao ministro provar isso. "E, se deve, tem que ter até as últimas consequências. Porque quem é o patrão dos ministros do Supremo, de cada juiz? Ou de cada senador, de cada deputado? É o contribuinte. Todos deveriam sentir-se empregados e todos devem satisfação, até as últimas consequências, para o contribuinte." Ele prometeu agir com rigor caso eleito e afastar qualquer blindagem de autoridades. "Ninguém será poupado no meu governo, nem o presidente, [nem] nenhum ministro." Evangélicos Cury falou à imprensa após um encontro na Assembleia de Deus Ministério do Belém, em São Paulo, com os pastores José Wellington Bezerra da Costa e José Wellington Bezerra da Costa Junior. Cury costuma se definir como um "cristão sem fronteiras", sem vínculo com uma religião específica. O candidato disse que foi convidado para falar de suas propostas e que defendeu a importância da família, da liberdade de expressão e da liberdade religiosa. Ele contou que ouviu dos pastores o relato de que seus livros são lidos por membros da instituição há mais de duas décadas e que suas teses para gestão da emoção são aplicadas para desenvolver o trabalho pastoral e ajudar no acolhimento a fiéis. Cury afirmou que não foi à igreja "pedir voto", mas, sim, "o coração para pacificar esta nação". Segundo o candidato, a conversa abordou o momento de polarização e a necessidade de pacificar o país. "A nação brasileira merece paz, merece se voltar a projetos, para que possa se desenvolver", declarou, repudiando o que chamou de "guerra entre partidos" e dizendo que é preciso superar a radicalização. O candidato ressaltou o papel das igrejas evangélicas em ações como a ajuda a pessoas em situação de rua e negou que a visita seja um gesto de aproximação com os evangélicos, que correspondem a cerca de 30% da população. "Na verdade, eu não estou tentando me aproximar. Já estou próximo há décadas", respondeu a jornalistas, citando o uso de suas obras por pastores da Assembleia de Deus Belém. "A minha mente tem o melhor do capitalismo: meritocracia, família, empreendedorismo, liberdade de expressão, um Estado mais enxuto. Mas meu coração é social", acrescentou ele, que disse ter "virado o alvo" de candidaturas adversárias e estar sendo vítima de uma "indústria de haters". Cury caracterizou sua campanha como uma "luta de Davi contra o exército de Golias". "Estou propondo a milhões de pessoas que estão na direita e são maravilhosas e a milhões de pessoas que são encantadoras e estão na esquerda: por que nós não sentamos à mesma mesa e começamos debater o Brasil dos nossos sonhos?", disse. Na avaliação do candidato, a "beleza da democracia" não está em transformar adversários em inimigos a serem abatidos, mas na divergência e no debate de ideias. "A unanimidade só existe nas ditaduras. E é uma pena esse Brasil polarizado, radicalizado, adoecido." Cury afirmou que espera ter "o privilégio de continuar furando a bolha" e atribuiu sua subida nas pesquisas a um "mutirão sem precedentes", envolvendo influenciadores digitais, para propagar suas "ideias de pacificação". Segundo ele, "é tudo espontâneo", num fenômeno que seria fruto da capacidade de sua campanha de despertar a esperança nas pessoas. "É algo que nós não controlamos", afirmou, ao agradecer pelo engajamento e pedir que os apoiadores mantenham a mobilização em defesa de sua candidatura.
Cury evita antecipar nome para a economia para evitar 'polêmicas'
Candidato do Avante voltou a citar Mansueto Almeida, um dia após reunião no BTG Pactual com ele e com André Esteves; banco não comenta













