Mensagem, que se acredita ter sido transmitida no mês passado por Omã, evidencia o contínuo envolvimento direto de Teerã nos combates terrestres no território libanês 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma imagem de satélite mostra danos na área montanhosa de Ali al-Taher, perto de Nabatieh, no Líbano, em 8 de março de 2026 — Foto: 2026 Planet Labs PBC/Divulgação via REUTERS O Irã advertiu os Estados Unidos de que responderia com força a uma ofensiva israelense contra uma cadeia montanhosa no sul do Líbano, onde militares iranianos estão entrincheirados ao lado de combatentes do Hezbollah, disseram à Reuters três autoridades informadas sobre o assunto. A mensagem, transmitida no mês passado, evidencia o contínuo envolvimento direto do Irã nos combates terrestres no sul do Líbano e sua disposição para retaliar ataques israelenses na região, enquanto a guerra regional entra em seu sétimo mês. Acredita-se que o Hezbollah tenha construído um centro de comando subterrâneo e depósitos de armas na área montanhosa de Ali al-Taher, que oferece uma posição privilegiada sobre o sudeste do Líbano, de acordo com fontes de segurança libanesas. O local se tornou um dos pontos mais disputados da guerra entre Israel e Hezbollah. O Hezbollah afirmou publicamente que controla a área e enfrentará qualquer avanço israelense. Integrantes do grupo fizeram referência a uma “instalação” no local, mas se recusaram a fornecer detalhes. As Forças Armadas de Israel ocupam extensas áreas ao sul de Ali al-Taher e classificaram o local como um de seus “principais focos operacionais” em declarações públicas. Em sua mensagem a Washington, Teerã ameaçou responder a qualquer ofensiva israelense de grande escala contra a área com um ataque iraniano também de grandes proporções, disseram as três autoridades na região, que falaram sob condição de anonimato. O Hezbollah se recusou a comentar se forças iranianas estavam presentes em Ali al-Taher. Em resposta a perguntas da Reuters sobre a mensagem ou sobre uma eventual pressão dos Estados Unidos para que Israel não atacasse o local, uma autoridade da Casa Branca afirmou: “Isso não é correto.” Não houve comentários imediatos da missão permanente do Irã em Genebra, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos ou do Ministério das Relações Exteriores de Omã. As Forças Armadas israelenses se recusaram a comentar. Duas das autoridades disseram ainda que a mensagem foi transmitida por meio de Omã, que tem desempenhado um papel de mediador. Essas duas autoridades regionais, informadas por Teerã, afirmaram que mais de uma dezena de integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), incluindo pelo menos dois oficiais de alto escalão, estavam no local junto com combatentes do Hezbollah. A terceira fonte, uma autoridade estrangeira com conhecimento direto da mensagem, afirmou que ela foi transmitida por volta de meados de agosto e que, em consequência da pressão dos EUA, Israel adiou uma operação para tomar Ali al-Taher. Procurado pela Reuters, o escritório de imprensa do Hezbollah não confirmou nem negou a mensagem iraniana, mas afirmou ser uma “conclusão natural” que um alerta desse tipo tivesse sido enviado a respeito da área. “O Irã considera qualquer movimento israelense por terra no sul do Líbano, especialmente uma expansão territorial, uma grave violação do Acordo de Islamabad”, afirmou o escritório de imprensa do Hezbollah, referindo-se ao memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã firmado em junho, que incluía um cessar-fogo no Líbano. O Irã lançou mísseis contra Israel no início de junho em retaliação a ataques contra o Hezbollah nos arredores da capital libanesa. Um homem caminha com um menino, que carrega uma bandeira do Hezbollah, em frente a um mural que retrata o ex-líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e outras figuras importantes, no dia em que o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, fez um discurso televisionado, perto do túmulo de Hassan Nasrallah, nos arredores de Beirute, Líbano , em 17 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir Israel busca cercar combatentes do Hezbollah Apesar do cessar-fogo anunciado em junho, as Forças Armadas israelenses afirmaram que o Hezbollah continua operando nos arredores da área e lançou duas vezes, na última semana, drones carregados de explosivos contra tropas israelenses próximas ao local. Em julho, Israel afirmou ter realizado um ataque aéreo contra um combatente do Hezbollah próximo a um acesso à instalação subterrânea em Ali al-Taher e prometeu não permitir que o grupo operasse na região ou representasse uma ameaça aos soldados israelenses. Uma autoridade militar israelense, que falou sob condição de anonimato, disse à Reuters em junho que combatentes do Hezbollah estavam presos no subsolo sem comida ou água. O jornal israelense Maariv, citando uma fonte militar, afirmou nesta quinta-feira que as Forças Armadas de Israel avaliam que não há integrantes da Guarda Revolucionária em Ali al-Taher e que alguns combatentes do Hezbollah morreram por falta de comida e água. A terceira autoridade afirmou que as Forças Armadas israelenses tentavam forçar a saída de integrantes do Hezbollah e da Guarda Revolucionária por meio de um cerco, abatendo drones usados em tentativas de entregar comida e água ao local. “O que vimos ao longo do último mês é uma pressão israelense para cercar Ali al-Taher a fim de criar uma situação dentro dessa instalação que a torne inabitável. Essa abordagem, e a ausência de um ataque em grande escala, significa que é possível que uma mensagem tenha sido transmitida por meio de vários países — essa é uma conclusão natural”, disse o escritório de imprensa do Hezbollah à Reuters. Uma mulher segura uma bandeira do Hezbollah durante um comício em apoio ao Líder Supremo do Irã , Mujahidin Khamenei, em Teerã, Irã , 4 de junho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Hezbollah ameaça retaliação Uma fonte libanesa informada pelo Hezbollah afirmou que os combatentes do grupo ainda conseguem acessar suas posições pelo lado norte da área montanhosa. A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente a situação militar em Ali al-Taher, que as Forças Armadas israelenses incluíram em uma zona de segurança autodeclarada, ocupada por suas tropas e cujo acesso é proibido aos libaneses. Apesar do alerta iraniano, a fonte libanesa e uma autoridade de alto escalão da segurança do Líbano disseram que uma operação militar israelense para tomar a área ainda é possível nas próximas semanas. O Hezbollah afirmou que qualquer ataque contra Ali al-Taher significaria uma retomada da guerra em grande escala e poderia resultar em mísseis atingindo comunidades no norte de Israel.