No intervalo do Fórum Fophi Network 2026, duas lideranças de um multifamily office nos procuraram com uma inquietação: famílias atendidas, sobretudo das novas gerações, vinham perguntando mais sobre filantropia. Queriam falar de legado, impacto e propósito, e a equipe percebeu que precisava de conhecimento qualificado.

Em outro momento, uma liderança experiente em filantropia familiar nos contou que nunca havia pensado em incluir o tema nas perguntas de boas-vindas de seu family office. Foi ao longo de uma conversa conosco que concluiu que passaria a fazê-lo. "Faz todo sentido."

Essas duas cenas dizem muito sobre o momento que o Brasil vive. Quando lançamos, no ano passado, a pesquisa "Filantropia & Family Offices", divulgada com exclusividade por esta Folha, partimos de uma hipótese simples: há uma grande oportunidade para a filantropia familiar de alto patrimônio crescer no país, envolver mais famílias, qualificar decisões e deixar de estar concentrada em poucos grupos já mobilizados.

Um dos canais possíveis para isso são os family offices, estruturas que administram patrimônios familiares e vivem crescimento sem precedentes no Brasil.

Na semana passada, mais de 80 pessoas participaram do Fórum. Quase um terço vinha de fora de São Paulo. As inscrições, pagas, esgotaram antes do prazo. Trata-se de um sinal relevante de que existe, no Brasil, uma demanda crescente por falar de filantropia familiar com mais profundidade, menos improviso e maior responsabilidade pública.