O atual episódio de El Niño pode ser o mais intenso já registrado desde o início das medições do fenômeno climático, há quatro décadas, alertou nesta quinta-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM). — Pode ser mais intenso do que tudo o que foi observado desde o início do nosso monitoramento e, portanto, superar os gráficos que temos utilizado nas últimas quatro décadas — declarou a secretária-geral da agência da ONU, Celeste Saulo, durante uma entrevista coletiva em Genebra. A avaliação da OMM considera a trajetória atual do fenômeno, que poderá levar o episódio a ultrapassar os níveis registrados ao longo das últimas quatro décadas. A agência já havia alertado que o fenômeno deverá ser "muito forte" nos próximos meses e é quase certo que durará até fevereiro. Este fenômeno climático natural aumenta as temperaturas da superfície no Pacífico equatorial central e oriental, o que tem o poder de desencadear mudanças nos padrões de vento, pressão e chuva em todo o mundo. Na América Latina, países como Panamá e El Salvador declararam estado de emergência para lidar com o El Niño, que já forçou uma redução no tráfego marítimo pelo Canal do Panamá. O Equador, por sua vez, emitiu um alerta vermelho devido à intensificação significativa do fenômeno. De acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o El Niño atingirá seu pico no final deste ano, embora seus impactos climáticos persistam até 2027. "O El Niño está claramente estabelecido e se intensificará, tornando-se um fenômeno muito forte nos próximos meses, com grandes impactos nos padrões de precipitação e temperatura, e os riscos associados de inundações, secas e calor extremo", afirmou a agência da ONU. Europeus tentam se refrescar durante onda de calor 1 de 15 Um casal se refresca na Fonte do Trocadéro, com a Torre Eiffel ao fundo, durante uma onda de calor em Paris — Foto: Dimitar DILKOFF / AFP 2 de 15 Pessoas se refrescam na Fonte do Trocadéro, com a Torre Eiffel ao fundo, durante uma onda de calor em Paris — Foto: Dimitar DILKOFF / AFP X de 15 Publicidade 15 fotos 3 de 15 Pessoas se refrescam na Fonte do Trocadéro, com a Torre Eiffel ao fundo, durante uma onda de calor em Paris — Foto: Dimitar DILKOFF / AFP 4 de 15 Pessoas se refrescam em uma fonte em Trocadéro durante uma onda de calor em Paris — Foto: Dimitar DILKOFF / AFP X de 15 Publicidade 5 de 15 Um turista se refresca em uma fonte durante uma onda de calor no centro de Copenhague — Foto: Mads Claus Rasmussen / Ritzau Scanpix / AFP 6 de 15 Um homem se refresca com a água de uma fonte enquanto visita o centro histórico de Sarajevo — Foto: ELVIS BARUKCIC / AFP X de 15 Publicidade 7 de 15 Pessoas tentam se refrescar na frente de um jato d'água instalado em uma caminhonete da Defesa Civil perto do Coliseu — Foto: Andreas SOLARO / AFP 8 de 15 Pessoas tentam se refrescar na frente de um jato d'água instalado em uma caminhonete da Defesa Civil perto do Coliseu — Foto: Andreas SOLARO / AFP X de 15 Publicidade 9 de 15 Pessoas tentam se refrescar na frente de um jato d'água instalado em uma caminhonete da Defesa Civil perto do Coliseu — Foto: Andreas SOLARO / AFP 10 de 15 Pessoas pulam no Canal Saint-Martin durante uma onda de calor na França, em Paris — Foto: Ludovic MARIN / AFP X de 15 Publicidade 11 de 15 Pessoas pulam no Canal Saint-Martin durante uma onda de calor na França, em Paris — Foto: Ludovic MARIN / AFP 12 de 15 Uma mulher espirra água no beco ao lado de sua casa para se refrescar, em uma área da zona leste de Leeds, na Inglaterra — Foto: Oli SCARFF / AFP X de 15 Publicidade 13 de 15 Um membro da equipe do festival Hellfest borrifa água para refrescar o público na França — Foto: Sebastien Salom-Gomis / AFP 14 de 15 Pessoas tentam se refrescar com mangueira em Colônia, na Alemanha — Foto: Ina FASSBENDER / AFP X de 15 Publicidade 15 de 15 Jovens saltam de uma ponte no Canal Saint-Martin durante uma onda de calor em Paris — Foto: JOEL SAGET / AFP Embora não seja causado pelas mudanças climáticas, os cientistas esperam que o El Niño exacerbe as temperaturas em um planeta que já está aquecendo devido à queima de combustíveis fósseis, além de intensificar eventos climáticos extremos. "O El Niño está se tornando gigantesco diante de nossos olhos", alertou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres. "A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está em águas desconhecidas, e essas águas estão aquecendo. As temperaturas da superfície do mar estão subindo, as temperaturas continuam a aumentar e o mundo está na zona de perigo de eventos climáticos extremos", acrescentou em um comunicado. "A corrida agora é entre os riscos crescentes e nosso compromisso com a ação climática e a proteção das pessoas. Precisamos vencer essa corrida", afirmou. 'Golpe devastador' para as economias O El Niño normalmente atinge seu pico no final do ano, mas o calor do oceano é liberado mais lentamente na atmosfera, elevando as temperaturas globais nos 12 meses seguintes. O ano mais quente já registrado foi 2024, após o último El Niño. "Este El Niño excepcional [...] tem o potencial de causar um golpe devastador em comunidades e economias ao redor do mundo", disse a Diretora-Geral da OMM, Celeste Saulo. "Já estamos vendo interrupções e devastação causadas por secas e inundações, e esperamos que esses impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica", disse ela. Onda de calor atinge a Europa no início do verão 1 de 10 Pessoas se refrescam sob fontes de água na área de lazer Madri por conta da primeira onda de calor do verão. — Foto: Thomas Coex / AFP 2 de 10 Mulher usa um leque para se refrescar em parque de Madri durante a primeira onda de calor do verão — Foto: Thomas Coex/ AFP X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Pessoas caminham pela rua enquanto um termômetro indica temperatura de 36ºC durante onda de calor no centro de Nantes, oeste da França — Foto: Loic Venance/AFP 4 de 10 Torcida se reúne sob forte calor para acompanhar torneio de Wimbledon — Foto: Henry Nicholls/AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 Público e atletas enfrentam forte calor em Wimbledon; Aryna Sabalenka se refresca durante partida — Foto: Adrian Dennis/AFP 6 de 10 Uma mulher segura um guarda-chuva para se proteger do sol em um dia quente de verão, em Roma. — Foto: Tiziana Fabi / AFP X de 10 Publicidade 7 de 10 Termômetros a 44°C põem Europa em alerta para onda de calor recorde no continente — Foto: Thomas Coex/AFP 8 de 10 Termômetros a 44°C põem Europa em alerta para onda de calor recorde no continente — Foto: Thomas Coex/AFP X de 10 Publicidade 9 de 10 Público enfrenta calor para acompanhar partidas em Wimbledon — Foto: Henry Nicholls/AFP 10 de 10 Mulher abana casal durante partida em Wimbledon — Foto: Henry Nicholls/AFP X de 10 Publicidade Regiões da Itália proibiram trabalho ao ar livre nas horas mais quentes Ela alertou as autoridades de gestão de desastres e os setores sensíveis ao clima, como agricultura, saúde, energia e água, e observou que "não há tempo a perder" na preparação. Oceano Pacífico está aquecendo O El Niño ocorre tipicamente a cada dois a sete anos e dura entre nove e doze meses. As condições oscilam entre o El Niño e seu oposto, La Niña, com períodos neutros entre eles. A OMM observou que existe uma "probabilidade extraordinariamente alta, próxima de 100%", de que o episódio atual continue até fevereiro. O El Niño pode alterar os padrões climáticos e meteorológicos a milhares de quilômetros de distância do Pacífico tropical. Cada evento El Niño é diferente, mas os eventos principais tendem a seguir padrões conhecidos. Isso inclui secas em partes da Amazônia, da Indonésia e da Austrália, monções interrompidas na Índia e mudanças nos padrões de chuva nos trópicos. Para o período de setembro a novembro, as previsões da OMM indicam uma maior probabilidade de temperaturas acima do normal "em quase todas as áreas terrestres".
El Niño atual pode ser o mais intenso já registrado, alerta agência da ONU
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, fenômeno pode superar os níveis observados desde o início do monitoramento, há quatro décadas












