Para chamar atenção do comprador algorítmico, as marcas precisam focar em relevância em tempo real, transparência e qualidade consistente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tatiana Orofino, da AWS: “O marketing tradicional, focado em apelos emocionais e compras por impulso, perde eficácia” — Foto: Divulgação “Quero uma garrafa de vinho, com preço até R$ 80,00, frete grátis e entrega em até 24 horas.” Foi essa a recomendação feita ao agente de IA no dia 11 de março para a realização da primeira transação de compra agêntica em território nacional. Durante a operação, feita em ambiente de produção controlado, o cartão BB Visa foi habilitado para que o agente de IA realizasse o pagamento em nome do cliente, com uma solicitação de autorização iniciada por meio da plataforma Visa Intelligent Commerce. “Esse movimento inaugura uma nova era de conveniência e eficiência sem precedentes, tornando essencial que empresas, consumidores e todos os participantes da cadeia de valor de pagamentos estejam preparados para se adaptar ao novo mundo em que a IA redefine padrões de consumo e inovação no varejo digital”, afirmou, na ocasião, Rodrigo Cury, presidente da Visa Brasil. Diante da nova realidade, a pergunta que vem à tona é: minha arquitetura está pronta para ser lida, escolhida e executada por um agente? Ainda não, afirmam os especialistas. “Estamos num momento de transição, de preparação dos players com relação a bases de segurança, protocolos, prevenção de fraudes, autenticação, identificação e validação de agentes, além da atualização das informações de cada produto numa linguagem capaz de ser compreendida pela IA”, diz Tiago Moherdaui, VP da Visa Consulting & Analytics do Brasil. Na visão de Tatiana Orofino, líder de desenvolvimento de negócios para o setor financeiro na AWS América Latina, construir um modelo de “encantamento” para agentes de IA exige uma mudança profunda de paradigma comercial. “O marketing tradicional, focado em atrair o consumidor humano com vitrines bonitas, apelos emocionais e compras por impulso, perde eficácia”, afirma. “No comércio agêntico a lealdade migra do consumidor para o agente de IA, que atua como um tomador de decisão puramente analítico.” Para chamar atenção do comprador algorítmico, as marcas precisam estruturar sua atuação com foco em relevância em tempo real, transparência e qualidade consistente. Se a qualidade do serviço ou da entrega cair, o agente de IA trocará de fornecedor na próxima transação. Estudo feito pela McKinsey indica que o novo modelo de comércio orquestrado por agentes de IA pode movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente até 2030. A estimativa é que até 2028 cerca de 20% do varejo digital em mercados desenvolvidos terão transações iniciadas ou concluídas por IA. Atuando em nome de consumidores, os agentes tendem a mudar a lógica do comércio. No novo arranjo, o cliente vira administrador de intenções e passa a gestão da compra ao agente. O apetite do brasileiro, contudo, revela-se voraz. Segundo o “Agentic Commerce Consumer Study”, levantamento global feito pela Visa com 4.000 consumidores no Brasil, EUA, Reino Unido e Singapura, 76% dos brasileiros pretendem usar agentes de IA para realizar compras, índice superior ao registrado nos EUA (44%). No Brasil, 67% dos entrevistados afirmam sentir-se muito ou extremamente confiantes em permitir que agentes realizem compras em seu nome, enquanto 57% dizem manter sensação de controle sobre toda a experiência. Nos EUA, apenas 35%, e em Singapura, 34%. Para Giuliane Paulista, executiva de IA do Banco do Brasil, a confiança deve vir antes da escala. “Já construímos vários pilares para garantir a segurança das transações na trilha da IA agêntica. Agora colocaremos novas, porque a jornada de compra mudará”, diz. “É preciso garantir segurança, autenticação, rastreabilidade, daí a necessidade de evolução das camadas de governança.” Segundo ela, é necessário ter clareza com relação a liberações, limites de gastos, dizer de fato como a transação pode ser feita e quando acontecer algum problema haver diretrizes para apontar de quem será a responsabilidade. Uma das maiores autoridades na área, John Maeda, professor do MIT Media Lab, enfatizou, em sua passagem pelo palco da Febraban Tech 2026, que o comércio agêntico representa o fim da era do e-commerce tradicional. “No novo paradigma, os consumidores deixam de interagir diretamente com sites, menus complexos e carrinhos de compra. Em vez disso, delegam suas intenções aos agentes”, diz. Daí a importância de aprender a se comunicar com eficiência com as máquinas. “Trata-se de uma disrupção enorme”, afirma Giuliana Cestaro, VP Produtos da Fiserv, líder global em tecnologia de pagamentos e serviços financeiros. “Deixamos de olhar a experiência do humano para entrar na análise da experiência do robô.”