O palco Mundo, com uma iluminação especial feita por LEDs, “vai ao encontro desse momento atual em que vivemos, de imersão em telas”, diz Roberta Medina — Foto: Ariel Martini/Divulgação Brinquedos como tirolesa e montanha-russa e estandes de diversas marcas que distribuem brindes e criam diversões para o público. Além disso, há os shows. Este é o Rock in Rio, evento que ajudou a transformar os grandes festivais de música do mundo em parques temáticos de entretenimento. Criado em 1985 pelo publicitário Roberto Medina, o Rock in Rio chega a mais uma edição com sete dias de atrações. A organização espera cerca de 100 mil pessoas a cada dia na Cidade do Rock, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Entre os artistas pelos seis principais palcos do RiR, estão Foo Fighters, Avenged Sevenfold, Sepultura, James Hype, Calvin Harris, Black Eyed Peas, Elton John, Gilberto Gil, Fatboy Slim, Stray Kids, Jamiroquai, Mumford & Sons e Zara Larsson. O palco Sunset, uma espécie de “segundo palco” do evento, recebe encontros e shows curiosos, como os de João Gomes e Orquestra Brasileira (um grupo formado especialmente para o festival, com instrumentos de diversas regiões do país), Péricles canta Motown, Marina Sena convida Céu, Roupa Nova e Guilherme Arantes e Jota Quest canta Tim Maia. Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, empresa que organiza o RiR, diz que a proposta de transformar o festival em um centro de entretenimento vem dando certo e vai se aprofundar. “A gente conseguiu consolidar o conceito de parque temático da música, de fazer um evento que, cada vez mais, consiga juntar pessoas diferentes”, afirma. “Temos investido na valorização da experiência coletiva.” Ela cita uma apresentação de aviões que farão manobras radicais e “arrepiarão o público entre os shows”. Mas quem acha que antigamente, nas edições de 1985, 1991 e 2001, o Rock in Rio privilegiava apenas música, está enganado, afirma Roberta. “Se olharmos para 1985, o Rock in Rio já nasce querendo oferecer diversas experiências ao público, como shopping center, praça de alimentação, iluminação feita especialmente para realçar a plateia. A gente já falava ali de como queríamos incentivar o turismo e a promoção do Rio de Janeiro. Era exatamente o que fazemos hoje, mas agora é de uma maneira bem mais sofisticada”, argumenta. “Então o RiR nunca foi apenas sobre música. Sempre teve como intenção valorizar o convívio entre as pessoas.” Na visão de Roberta (e de seu pai, Roberto), a música é o centro de um “espetáculo gigantesco”. “Em um festival desse porte, as pessoas querem se divertir, por isso opções de entretenimento ganham um espaço relevante dentro dele. Se a pessoa quer ver apenas um artista, ela pode ir a um show. No Rock in Rio, o público vem para passar horas na Cidade do Rock, de uma maneira feliz, junto de familiares e amigos. Querem ter muitas coisas para fazer.” Nesta edição, os organizadores turbinaram o maior palco do evento, o Mundo. O espaço traz uma iluminação especial feita por LEDs, algo que “vai ao encontro desse momento atual em que vivemos, de imersão em telas, mas será uma imersão coletiva”, diz Roberta. “Vamos ver como os artistas vão explorar essas possibilidades.” A diversidade de público também está relacionada à própria escolha dos artistas. Medina diz que o Rock in Rio nunca foi pensado como um festival de nicho. Para ela, menos do que um direcionamento artístico, o “rock” presente no nome do evento representa uma atitude diante da música e da cultura. “O Rock in Rio é mainstream, para as massas, é diverso em termos de gêneros musicais, vem abraçando os estilos musicais que estão ganhando escala na sociedade”, afirma. Para ela, se a sociedade muda, o festival também tem de mudar. O “dia do k-pop” é um exemplo disso. O grupo sul-coreano Stray Kids deve levar à Cidade do Rock, em 11 de setembro, um público mais jovem do que o habitual. “Neste ano, teremos, não pela primeira vez, mas de um jeito mais robusto, um dia pensado para crianças e adolescentes”, afirma ela. “Essa é a beleza do RiR em relação a outros festivais, que são feitos para públicos muito mais homogêneos. A gente adora essa mistura de gente, o que ajuda a valorizar a emoção.” No Sunset, essa mistura aparece de outra maneira. O palco, que há 15 anos é comandado pelo curador Zé Ricardo, consolidou-se como um espaço de encontros entre artistas que dificilmente caberiam em outros lugares. “O palco Sunset vem evoluindo ano a ano, mas mantendo o DNA. A gente já fez Sepultura e Zé Ramalho, por exemplo. Neste ano, teremos Péricles canta Motown. Então continua com uma certa inquietação, de levar coisas novas ao público”, diz. “É um palco que ainda tem um frescor, as pessoas ainda descobrem novos caminhos da música.” Sobre a apresentação de Péricles, Zé Ricardo diz que teve a ideia depois de ter visto o cantor, em Salvador, fazer uma versão de “Stand By Me”, que já ganhou versões de gente como John Lennon, Otis Redding e Tracy Chapman. “O Péricles sempre foi influenciado pela gravadora Motown e canta bem em inglês. Então fui conversar com ele. Almoçamos, e ele adorou a ideia. Me achou maluco na hora, mas gostou.” Péricles chegou a escolher 40 músicas para o projeto. Zé Ricardo então selecionou 13 e montou a ordem do repertório. Depois, o curador, com a ajuda de uma banda, criou os arranjos em um estúdio. A formação que acompanhará o cantor terá quatro sopros, quatro backing vocals, percussão, baixo, bateria, guitarra e piano. Outro encontro criado especialmente para o festival é o de João Gomes e Orquestra Brasileira. Segundo Zé Ricardo, a ideia aqui é colocar o cantor ao lado de instrumentos de diferentes regiões do país. Não será, portanto, uma orquestra sinfônica tradicional. “Tem tambores do Amazonas, guitarras. Para que o João Gomes possa contar a sua trajetória através dessa linguagem diferente”, diz. Além dos encontros, o palco Sunset terá também shows tradicionais, como os de Jamiroquai e Mumford & Sons. “O Jamiroquai poderia estar no palco Mundo, mas a gente quer que o público entenda que os dois palcos principais têm headliners que tocam em horários nobres”, afirma Zé Ricardo.