Conseguir reunir os dois executivos foi chave para alcançar acordo de cisão do grupo Azzas 2154 horas antes de seu anúncio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alexandre Birman (esquerda) e Roberto Jatahy durante anúncio da fusão de Arezzo&Co e Soma em agosto de 2024 — Foto: Laís Rissato Após meses de tratativas, as negociações em busca de um acordo para redividir as marcas sob o Azzas 2154 entre Alexandre Birman, da Arezzo&Co, e Roberto Jatahy, do Grupo Soma, chegaram a um limite na última segunda-feira, um momento do tipo “ou vai, ou racha”. Foi preciso uma convocação de assessores financeiros para colocar os dois em uma mesma mesa, com o objetivo de que tudo fosse “acertado às claras”, conta uma pessoa próxima às negociações. Os empresários apertaram as mãos e selaram o acordo às 22h de terça-feira. Menos de 12 horas depois, a estrutura da reorganização societária do maior conglomerado de moda do Brasil foi anunciada pouco antes da abertura do mercado. Foram “48 horas de intensidade máxima”. Nesse processo, o bloco de controle da família Birman teve o BTG Pactual como assessor financeiro e o Spinelli Advogados na frente legal, enquanto o de Jatahy contou com o G5 Partners e o BMA, respectivamente. O fechamento da fusão de Arezzo&Co e Soma aconteceu em agosto de 2024. Em abril do ano seguinte, o divórcio iminente entre os dois empresários veio a público, devido a diferenças “irreconciliáveis”, fazendo as ações da companhia tombarem. Em meados de 2025, um “acordo de paz” chegou a ser selado, com mudanças na alta governança do Azzas e o engavetamento do acordo de acionistas que teria travado a evolução da fusão, que prometia escalar os resultados da companhia. Não durou muito. Neste ano, a disputa cresceu com a abertura de um procedimento arbitral e medida cautelar na Justiça. Com isso, o primeiro desafio para avançar nas negociações que levaram ao acordo de divórcio do Azzas 2154, revela essa fonte, foi fazer com que os empresários, que não sentavam juntos à mesa para falar sobre as diferentes visões que têm dos negócios há cerca de dois anos, dialogassem para construir uma solução. Divórcio Grupo Azzas — Foto: Criação O GLOBO No centro das conversas, era preciso esclarecer que, a contrário do que se pensava à época da fusão, o Azzas era uma holding de “unidades de negócio de pouca conciliação”. E não havia problemas nas operações, mas uma diferença de cultura entre dois empresários “de referência” em suas indústrias. Outra dificuldade foi convencer Birman e Jatahy de que insistir em uma disputa litigiosa traria perdas para todos os acionistas e para a companhia. Nesse ponto, o principal motivador foi quebrar a lógica histórica dos grandes imbróglios societários do país em que acionistas de referência de muito peso se desalinharam. “O foco era tomar uma decisão empresarial que blindasse a companhia e criasse valor para os novos negócios, preservando autonomia de gestão”, explicou essa fonte. O racional, continua, foi permitir que cada um ficasse com as marcas ligadas àquilo que faz de melhor. Com o bônus de cada bloco — Arezzo&Co e Soma — ter um acionista de referência. O próximo capítulo está pautado: o destino da Farm Rio, que ficará em uma unidade separada e, pela força global da marca, “se aproxima de um processo potencial de venda”.