Se as palavras sempre encontraram espaço na obra da pintora Vânia Mignone, elas agora faltam na celebração de seus 30 anos de carreira. Seus quadros, pintados em cores berrantes sobre placas de MDF, costumam conter expressões como futuro, caos, parto, nós, selva. E elas ainda aparecem nos trabalhos inéditos que ela apresenta na Casa Triângulo, galeria paulistana que a representa há três décadas. A diferença é que, agora, as letras estão confinadas aos quadros.

Mignone decidiu, junto aos donos da galeria, que o aniversário era ocasião para certo minimalismo. Isto é, nada de chamar um curador para a mostra e nem de encomendar textos críticos. A artista batizou a mostra de "Sem Palavras".

Nascida em Campinas, onde mora até hoje com seus vários cachorros de estimação, Mignone se formou em artes pela Universidade Estadual de Campinas e em publicidade na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Ela começou a carreira na xilogravura e, cedo, em 1990, passou a expor suas obras. Em 1995, faz sua primeira exposição individual e, desde então, é figurinha carimbada na cena brasileira.

Além da ausência de palavras, falta na empreitada outra marca registrada de Mignone: as figuras femininas de alto contraste, pintadas de forma cartunesca sobre as chapas de MDF. A artista diz que suas personagens masculinas e femininas evocam energias associadas a esses gêneros. Ela até chegou a pintar uma mulher para os cerca de dez quadros da nova mostra. Mas, diz, a obra não se encaixou no espaço expositivo da galeria, nos Jardins.