Esta coluna nunca foi muito de falar de cicloturismo, até porque, confesso: nunca aprendi a andar de bicicleta. Meu negócio é um pé na frente do outro. Eventualmente, um acima do outro numa escalaminhada com a bunda, o chamado quinto apoio, pelo meio. Mas, com a explosão do universo ciclista em vias urbanas e trilhas, resolvi dar uma chance ao esporte, que há tempos não tem mais um espaço específico no jornal. Isto posto, vamos estrear conversando com uma das maiores ativistas do mundo de duas rodas do país, quiçá do universo: Renata Falzoni.

Procurei a jornalista e hoje vereadora pelo PSB de São Paulo Renata Falzoni, 73, para falar de um projeto que há tempos vinha tentando ignorar, que é a Trilha Interparques, anunciada pela Prefeitura de São Paulo em abril de 2025. Com 182 quilômetros de extensão, ela conecta várias unidades de conservação municipais, estaduais, represas e reservas particulares na zona sul.

Quando foi anunciada, fui conhecer como de costume, ou seja, com uma garrafinha de água e os dois pés, para descobrir que, na verdade, ela estava formatada mais para ser uma ciclovia que uma trilha caminhável. O acesso no trecho inicial, na Balsa da Ilha do Bororé, na zona sul de São Paulo, tinha tráfego intenso em duas mãos, numa via sem acostamento. Em vários momentos, me exigiu pular para o meio do mato para não ser atropelada. Nunca mais voltei.