De nada adiantará haver leis para disciplinar ruas e ciclovias se forem desrespeitadas a cada esquina 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Autopropelidos são flagrados em pistas de alta velocidade e dentro de túneis no Rio — Foto: Custodio Coimbra/Agência O Globo A profusão de bicicletas elétricas e outros veículos leves em meio a pedestres, corredores, entregadores, skatistas e usuários de patinetes tem imposto um desafio às cidades. Disciplinar a confusão em ciclovias e ciclofaixas ou fora delas, junto ao trânsito, é tarefa das mais complexas. Por isso fazem bem as prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro em apertar as regras para melhorar a convivência e, sobretudo, aumentar a segurança. A situação está longe de controlada. Em São Paulo, novas regras estão em vigor desde 28 de agosto, mas a fiscalização começará apenas em 12 de outubro, para que os cidadãos possam se adaptar e a prefeitura promover campanhas educativas. Entre as principais normas estão o limite de 20 km/h para bicicletas e veículos autopropelidos em ciclovias e ciclofaixas, desde que não sejam compartilhadas com pedestres — nesse caso, cai para 6 km/h. A alta velocidade é um dos principais motivos de acidentes. Na ausência de ciclovias, bicicletas e autopropelidos poderão circular apenas em vias com velocidade de até 50 km/h. Patinetes estarão autorizados nas de até 40 km/h. No Rio, a prefeitura publicou novo decreto em 26 de agosto, ajustando normas e criando regras específicas. O anterior havia sido editado em abril, depois de um acidente que matou mãe e filho quando andavam de bicicleta elétrica num trecho onde não havia ciclovia. Pela legislação atual, ciclomotores serão permitidos em vias com velocidade entre 40 km/h e 60 km/h. Bicicletas elétricas e autopropelidos poderão trafegar em vias de até 40 km/h. Aos domingos e feriados, quando a orla da Zona Sul é fechada para lazer, autopropelidos só poderão circular por uma ciclofaixa criada junto ao canteiro central. O limite de velocidade nas ciclovias será de 25 km/h. O aumento significativo de veículos leves, impulsionado por economia e praticidade, trouxe problemas no mundo todo. Cada cidade tem encontrado soluções de acordo com suas características e seus orçamentos. A China, que reúne frota estimada em 450 milhões de bicicletas elétricas, tem enfrentado o problema ampliando a malha cicloviária não só em extensão, mas também em largura, com viadutos e túneis exclusivos para ciclistas. É claro que municípios brasileiros vivem outra realidade. Muitas ciclovias foram construídas numa época em que não havia a febre dos autopropelidos. Os orçamentos são apertados e precisam priorizar os problemas crônicos do transporte de alta capacidade. Mas isso não exime o governo de pôr ordem nas ciclovias. São Paulo e Rio seguem no sentido correto ao impor regras mais rigorosas. Deveriam inspirar outras cidades brasileiras. Mas estabelecer novas normas é apenas parte da questão. A confusão se estende às calçadas, onde qualquer um pode ser surpreendido por bicicletas e até por motos, e às ruas e avenidas, onde carros, ônibus, motos, bicicletas e autopropelidos disputam espaço. É fundamental fiscalização permanente e ampla. De pouco adiantarão leis bem-intencionadas se forem atropeladas a cada esquina.
Rio e SP fazem bem em endurecer regras para veículos autopropelidos
De nada adiantará haver leis para disciplinar ruas e ciclovias se forem desrespeitadas a cada esquina






