O presidente Lula (PT) conversou com o chefe do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, na terça-feira (1º), sobre o escândalo que atingiu o Supremo após as revelações da troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro da corte Alexandre de Moraes.

O petista e seu grupo político buscam demarcar distância de Moraes, de quem foram próximos nos últimos anos, para tentar evitar que o caso contamine a campanha de reeleição do petista. Na terça foram divulgadas mensagens mostrando proximidade entre o ministro e o dono do antigo Banco Master, deixando o tribunal sob pressão da opinião pública.

No mesmo dia, o petista também foi procurado pelo ministro Gilmar Mendes, decano da corte, que buscou alertar o presidente para o que tem chamado de falta de apoio à cúpula da Polícia Federal por parte das instituições de governo.

O recado de Gilmar ocorreu em meio a uma queda de braço entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, do STF, sobre a condução das investigações do Banco Master. Mendonça foi o responsável por determinar a elaboração pela PF de um relatório que expôs as trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Lula discutiu o assunto com aliados políticos na manhã desta quarta-feira (2). Ficou definido que as manifestações do grupo sobre o assunto serão na linha de que ninguém está acima da lei –ideia já expressada pelo presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva. O próprio presidente deverá falar sobre o assunto, mas só quando perguntado em entrevistas. É provável que ele use um tom mais brando que o de Edinho.O presidente do PT, que havia participado da reunião com Lula horas antes, divulgou nas redes sociais um vídeo em que afirma que "o sistema apodreceu", entre outras afirmações.