Presidentes da República e do STF tiveram o primeiro encontro público desde a revelação das mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em evento no STF, ao lado do presidente da Corte, ministro Edson Fachin — Foto: Pedro França/CNJ Em evento com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, nesta manhã (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal". Lula também voltou a defender uma "discussão profunda" sobre a reforma do Judiciário. "Para que o povo possa continuar acreditando na Justiça", declarou. Lula, por outro lado, reclamou de vazamentos, fake news e "denuncismo". A declaração foi feita em evento para sanção presidencial de três projetos de lei que criam fundos destinados ao aperfeiçoamento de instituições do sistema de Justiça e ocorre em meio à crise desencadeada com a revelação das mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. "Eu disse ao meu amigo Fachin, a Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República estão sob muita expectativa da sociedade brasileira. Porque, quando os filhos dentro de casa estão em desordem, quem manda dentro de casa é que resolve", afirmou Lula, segurando o braço do presidente STF. "Então, meu caro, está nas suas costas e nas costas do [PGR] Paulo Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade sem tentar esconder absolutamente nada." É o primeiro encontro público entre os dois chefes de Poderes desde que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, na terça-feira (1º). Lula e Fachin, no entanto, já haviam se encontrado nessa semana e conversado reservadamente sobre o tema. O presidente da República também esteve com o decano da Corte, o ministro Gilmar Mendes. Estavam presentes no evento, além de Fachin, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet; o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias; o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues; o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão; e o ministro da Justiça, Wellington César e Lima. Como de costume, o presidente passou recados públicos diretos, mas sem nomear os envolvidos. Na última quinta-feira (3), ele se pronunciou pela primeira vez sobre a crise e defendeu as investigações de todos que estão relacionados com a fraude do Banco Master, “sem blindagem” e “doa a quem doer”. "Tem algumas pessoas que tentam enfraquecer [a democracia], que tentam desmoralizar, quando, no fundo no fundo, qualquer país democrático tem instituições que garantem o funcionamento dela, afirmou o presidente. "Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal, ninguém. Isso vale para o presidente da República, vale para o catador de material reciclável, vale para uma parteira e uma médica. Todo mundo tem de estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação, afinal de contas, ela vale para todos." continuou. Lula voltou a criticar os vazamentos de parte dos relatórios para a imprensa, o que os petistas têm chamado de "liberação seletiva", quando os sigilos de alguns processos e depoimentos são abertos e outros, não. "O que nós não podemos neste país é oficializar a indústria das fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos ou econômicos. Não é possível. Se a gente não der uma parada nisso, a gente vai perder a credibilidade que a sociedade quer que a gente tenha", declarou. A repercussão da crise tem preocupado diretamente o Palácio do Planalto, sob a leitura de que qualquer abalo institucional é prejudicial para a visão da população sobre a situação atual do país. Nesta sexta, Lula tabém voltou a citar a possibilidade de uma nova reforma do Judiciário, como propôs em seu primeiro mandato. A ideia vem sendo especulada no governo desde que ele voltou ao Planalto, em 2023, mas ficou escanteada em meio às crises que abalaram a Corte nos últimos anos. Agora, disse o presidente, em caso de reeleição, "com certeza fará uma discussão" sobre a possibilidade. Por dentro da crise Na terça-feira (1), o relator das investigações do caso Master, ministro André Mendonça, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com 52 mensagens que, segundo as investigações, foram enviadas por Vorcaro a Moraes. O material indica que Vorcaro procurava obter informações, orientações e também a intervenção do ministro do STF na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal. O PGR, Paulo Gonet, e o chefe da PF, Andrei Rodrigues, são citados. Dois dias depois, na quinta-feira (3), veio a reação de Alexandre de Moraes e a crise escalou. Ele encaminhou para o presidente do STF um pedido de investigação contra André Mendonça. Moraes apresentou um relatório interno da Polícia Federal e disse que há presença de fortes indícios de abuso de autoridade e interferência indevida na condução das investigações dos casos Master e INSS. A decisão de Moraes foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Fachin defende fim do inquérito das fake news Na manhã desta sexta-feira, antes do evento, Fachin determinou que o pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça seja retirado do inquérito das fake news. A determinação é para que passe a tramitar em um processo que está sob a responsabilidade da Presidêncida da Corte. A decisão de Fachin veio como complemento de um despacho que ele havia sido emitido na noite de ontem. O presidente do STF determinou que os dois ministros - Morae s e Mendonça - e também o PRG, Paulo Gonet, e o chefe da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem até até cinco dias úteis sobre os acontecimentos que causaram a crise. No evento com Lula, Fachin disse que "nenhum autoridade está acima da Constituição". Afirmou que não haverá omissão por parte do tribunal e prometeu uma resposta institucional "firme e rigorosa" para a crise. Ele também defendeu a urgência da implantação de um Código de Ética e o encerramento do fim do inquérito das fake news.