Chris Wright, que está em Caracas, afirmou que novos acertos com empresas privadas de energia 'levarão a uma mais que duplicação' da produção de petróleo no país nos próximos anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, e Chris Wright , secretário de Energia dos EUA — Foto: Juan Barreto/Getty Images via AFP O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que as empresas estão prestes a fechar uma série de acordos que colocarão a Venezuela no caminho para expandir rapidamente sua produção de petróleo. —Vários acordos serão anunciados — disse Wright a repórteres após chegar a Caracas na noite de terça-feira. — Esses acordos levarão a uma mais que duplicação da produção de petróleo da Venezuela nos próximos anos. Wright, que durante sua visita está programado para se reunir com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, deve anunciar mais de uma dúzia de acordos com empresas de energia nesta quarta-feira. O maior deles é com a Chevron, que está ampliando significativamente suas operações na Venezuela, assumindo dois enormes campos de petróleo na Faixa do Orinoco. A viagem tem como objetivo demonstrar que as empresas privadas estão atendendo ao apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para ajudar a aumentar a produção venezuelana de petróleo. A iniciativa ocorre enquanto o Partido Republicano de Trump sofre pressão para reduzir os preços da gasolina nos EUA, que dispararam mais de 40% neste ano devido à guerra com o Irã, à medida que se aproximam as eleições legislativas de meio de mandato de novembro. Autoridades do governo Trump apresentaram o esforço para atrair empresas petrolíferas dos EUA e de outros países para atuar na Venezuela como uma forma de limitar a influência de empresas chinesas e russas na região. A Shell, a BP, a espanhola Repsol e a italiana Eni também devem assinar acordos, afirmou Rodríguez no início desta semana em entrevista à televisão estatal venezuelana. Em entrevista à Bloomberg Television, em Caracas, Wright afirmou que a China não terá direitos de cobrança sobre as receitas provenientes da nova produção, acrescentando que estão sendo realizados esforços para reestruturar a dívida da Venezuela. — A Venezuela tem uma grande dívida histórica — afirmou Wright na entrevista. —Esses campos serão desenvolvidos em benefício do povo venezuelano, dos americanos e dos mercados de energia mundiais. O plano representa uma intervenção sem precedentes, nos tempos modernos, na economia de um país que Trump certa vez chamou de 51º estado dos EUA. Segundo autoridades americanas, a iniciativa criaria a segunda maior empresa privada de petróleo do mundo em termos de reservas, garantiria o abastecimento de petróleo dos Estados Unidos por décadas e permitiria ao país recompor sua Reserva Estratégica de Petróleo, que está em níveis reduzidos. —Tempos muito promissores estão por vir, à medida que grandes investimentos chegam a este país — disse Wright. — Que garantia maior de um bom ambiente de negócios poderia haver do que uma parceria entre os Estados Unidos e o governo que está no comando da Venezuela? Analistas e outras pessoas têm afirmado que é improvável que as empresas consigam aumentar a produção de petróleo bruto da Venezuela com rapidez suficiente para reduzir os preços da gasolina nos EUA nos próximos meses. Uma refinaria em Puerto Cabello, Venezuela — Foto: Jesus Vargas/Getty Images via Bloomberg Embora o país possua algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, seus campos petrolíferos se deterioraram significativamente após anos de falta de investimentos e enfrentam problemas como bombas quebradas, vazamentos em oleodutos e acesso irregular à eletricidade. Ainda que a produção de petróleo bruto da Venezuela tenha aumentado neste ano, o país produziu apenas 1,16 milhão de barris por dia em julho, segundo uma pesquisa da Bloomberg. Isso representa menos da metade do volume produzido pelo país uma década atrás. Especialistas do setor afirmam que pode levar mais de uma década para recuperar a produção até os cerca de três milhões de barris por dia que a Venezuela produzia antes de sua indústria petrolífera iniciar um colapso que se prolongaria por décadas. No momento em que a Venezuela trabalha em conjunto com os EUA, o país, membro fundador da OPEP, está avaliando se deveria deixar o grupo que ajudou a criar há mais de seis décadas. Wright afirmou que não manteve conversas com autoridades venezuelanas sobre a possibilidade de o país sul-americano deixar a OPEP.
Secretário de Energia de Trump afirma que mais acordos serão fechados na Venezuela
Chris Wright, que está em Caracas, afirmou que novos acertos com empresas privadas de energia 'levarão a uma mais que duplicação' da produção de petróleo no país nos próximos anos












