Guerra de rejeições segue como elemento decisivo para desfecho; com redução na aprovação de seu governo, Lula reduz favoritismo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pesquisa para presidência: Lula segue no primeiro lugar, seguido por Flávio Bolsonaro e Augusto Cury — Foto: Reprodução A pesquisa Quaest divulgada na manhã de hoje mostra uma eleição ainda mais aberta. O favoritismo do presidente Lula como incumbente diminuiu e a melhor métrica para se ver isso é a nova redução da aprovação para 45%. Os que desaprovam se mantêm em 48%. Após atingir seus melhores números em julho, Lula vem perdendo fôlego desde agosto, embora ainda esteja com um saldo negativo entre aprovação e desaprovação (3 pontos hoje) bem menor do que nos primeiros meses do ano (em abril, a desaprovação ao governo chegou a ficar 9 pontos acima da aprovação). O claro empate técnico na simulação de segundo turno contra seu principal concorrente, Flávio Bolsonaro, reforça o quadro de piora e a maré negativa, ainda que o chefe do Planalto siga numericamente à frente. Mas há uma série de ponderações a serem feitas e a mais importante é que há alta imprevisibilidade no resultado, embora, teoricamente, Lula ainda mantenha algum favoritismo sobre Flávio. A máquina pública na mão, maior tempo de televisão e a neutralidade dos partidos do Centrão ajudam o incumbente e postulante à reeleição. Além disso, na guerra de rejeições, vista como decisiva em um ambiente de encastelamento da maioria dos eleitores, há empate técnico, mas com Flávio dois pontos acima de Lula (55% a 53%). A campanha de Lula vinha preparando uma ofensiva para piorar esse indicador do seu adversário, mas foi atropelada pelo noticiário sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Os dados sobre percepção econômica apontados na pesquisa não tiveram modificações substanciais, mas revelam ainda um incômodo de boa parte dos entrevistas, o que é outro fator de preocupação para Lula e um bônus para Flávio Bolsonaro. A economia está perdendo fôlego e o dado mais preocupante foi a queda do consumo das famílias no segundo semestre. Lula vem de uma sequência de mais notícias, principalmente a forte exposição em torno das acusações de suposto tráfico de influência de seu filho, Fabio Luís. E a pesquisa mostra que isso importou para o eleitor, assim como o caso Dark Horse pesa contra Flávio Bolsonaro. O bônus do noticiário do tarifaço, que o governo tem conseguido surfar, ficou lá em julho e já não causa efeito. Algumas medidas seguem em andamento, como o crédito para motoristas de aplicativos, mas por enquanto não sensibilizou os votos. Outro dado negativo para Lula, que ainda não foi capturado plenamente na Quaest, é a crise no Supremo Tribunal Federal, com as graves denúncias contra o ministro Alexandre de Moraes. Além de ser visto como inimigo do bolsonarismo e ter alguma proximidade com o governo, o caso tem potencial mais danoso para quem está buscando a reeleição porque cria o clima de que as instituições e o sistema estão disfuncionais. Isso é reconhecido inclusive no entorno presidencial. A Quaest mostra que 71% dos eleitores já resolveu em quem vai votar. Restam 29% para disputar em um aquário que agora parece estar em parte encantado pela candidatura do médico e coach Augusto Cury, a grande surpresa da pesquisa ao conquistar 10% das intenções. Ainda há bastante água para rolar debaixo da ponte eleitoral, mas a imprevisibilidade subiu muito.