0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Lula no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo A piora no cenário de intenção de voto do presidente Lula em um eventual segundo turno e a consolidação de um empate com Flávio Bolsonaro não são as únicas más notícias para o presidente Lula na pesquisa Quaest divulgada há pouco. Os números mostram um quadro ainda mais preocupante para o governo: a deterioração na avaliação da gestão. Mesmo após uma série de medidas e de um esforço mais intenso de comunicação nos últimos meses, Lula voltou a registrar saldo negativo entre aprovação e desaprovação. São 48% que desaprovam o governo e 46% que aprovam, uma diferença de dois pontos percentuais, ainda dentro da margem de erro. Embora seja um empate técnico, a essa altura da disputa o cenário ideal para um presidente que busca a reeleição seria contar com uma vantagem mais consolidada sobre a desaprovação. O resultado, portanto, aumenta os riscos de um desfecho desfavorável ao atual chefe do Planalto. É claro que ainda há um bom tempo até a eleição e a campanha ainda vai engatar. O governo tem a seu favor a máquina pública e o maior tempo de televisão em relação a Flávio Bolsonaro na propaganda eleitoral. Ainda assim, os dados apontam para um quadro mais difícil do que o governo provavelmente gostaria e esperava encontrar depois de todo o esforço feito nos últimos meses, tanto em medidas quanto em comunicação. Outro dado relevante da pesquisa é a percepção de piora na economia. A pesquisa não permite explicar diretamente as razões dessa avaliação, mas ela pode estar relacionada ao ambiente inflacionário ainda pressionado. Apesar da desaceleração observada nos últimos meses, os índices continuam sob influência de fatores como a alta do petróleo e seus efeitos sobre os preços. Ao mesmo tempo, começam a se acumular sinais de perda de ritmo da atividade econômica e de desaceleração do crescimento, em um cenário marcado por juros elevados que ainda resistem a uma queda mais consistente. O resultado é, portanto, uma combinação particularmente incômoda para o governo: piora na avaliação, empate na disputa de segundo turno e uma percepção menos favorável sobre a economia. Faltando um mês e meio para o pleito, Lula está em posição mais vulnerável do que gostaria.