A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que episódio do começo de agosto demonstrou a crescente 'imprudência' de Moscou. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um policial com roupa de proteção trabalha no aeroporto de Leipzig/Halle, em Schkeuditz, na Alemanha, depois que a polícia informou que especialistas em explosivos examinaram um drone próximo a uma pista — Foto: . REUTERS/Axel Schmidt/Foto de arquivo A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu nesta quarta-feira aumentar a pressão sobre a Rússia, inclusive com novas sanções, após uma tentativa de ataque com drone no aeroporto de Leipzig/Halle, na Alemanha. Segundo von der Leyen, o episódio demonstrou a crescente “imprudência” de Moscou. Funcionários do aeroporto encontraram no mês passado um drone carregado com explosivos e um detonador no local, um importante centro de transporte de cargas civis e de logística da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no leste da Alemanha, que também serve de base para vários aviões cargueiros ucranianos Antonov An-124 de grande porte. A Alemanha responsabilizou Moscou pelo ataque, classificando-o como parte de uma guerra híbrida destinada a intimidar e provocar divisões nos países que se uniram em apoio à Ucrânia após a invasão russa em grande escala, em 2022. A Rússia nega envolvimento e afirma que responderá ao que a porta-voz de seu Ministério das Relações Exteriores chamou de “ação antirrussa”. “A Europa e a Otan não apenas manterão nossa pressão sobre a Rússia; vamos aumentá-la e não vamos parar — não até que a Rússia pare de bombardear e matar crianças, homens e mulheres inocentes na Ucrânia”, disse von der Leyen em Bruxelas após uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. “Os europeus se deparam com a dura realidade de que este é o novo normal. Precisamos intensificar nossos esforços, e isso significa estar preparados para responder à imprudência da Rússia de forma mais rápida e eficaz.” O alcance total das novas sanções não estava imediatamente claro. A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que o bloco trabalha em sanções relacionadas ao complexo militar russo, enquanto o ministro das Relações Exteriores da França pediu medidas contra a chamada “frota sombra” da Rússia, formada por embarcações acusadas de contornar as sanções ao setor de energia. Rutte afirmou que mais drones e mísseis cruzaram o espaço aéreo da Otan no flanco leste da Europa e que houve um aumento de atividades hostis, incluindo o ataque em Leipzig. “Se a Rússia acha que seremos divididos pela ameaça, ou se acredita que seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia, está enganada”, afirmou. A UE e vários de seus países-membros convocaram representantes das embaixadas russas. A Alemanha afirmou que fechará o consulado-geral da Rússia em Bonn e encerrará seu acordo com o centro cultural Casa Russa, em Berlim. “É evidente que a Rússia não vê um custo político em suas atividades híbridas contra nós. Portanto, para eles, esta é uma maneira barata de provocar tensões em nossa sociedade”, disse o ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys, durante uma reunião de chanceleres na Irlanda. Um policial com roupa de proteção caminha ao lado de um robô de desativação de explosivos (EOD) no aeroporto de Leipzig/Halle, em Schkeuditz, na Alemanha, depois que a polícia informou que especialistas em explosivos examinaram um drone encontrado próximo a uma pista — Foto: REUTERS/Axel Schmidt/Foto de arquivo Alemanha investiga casos de sabotagem Enquanto a UE preparava sua resposta, a Alemanha lidava com dois novos casos suspeitos de sabotagem registrados em um intervalo de 24 horas. No primeiro, as autoridades investigavam atos de vandalismo em uma subestação no Estado da Renânia do Norte-Vestfália que fizeram com que unidades de usinas termelétricas a lignito, com capacidade combinada de 4.200 megawatts (MW), fossem retiradas da rede elétrica. Também na terça-feira, dispositivos contendo material condutor danificaram linhas de transmissão de energia em um dos pontos mais críticos da rede de alta tensão no Estado de Brandemburgo, no leste do país. Nenhum suspeito foi identificado de imediato, embora o ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália tenha afirmado que não era possível descartar o envolvimento de potências estrangeiras ou de extremistas de esquerda. O ministro do Interior de Brandemburgo, Jan Redmann, afirmou que parecia haver semelhanças entre os ataques, mas ressaltou que as investigações ainda estavam em uma fase muito inicial. Os incidentes ocorrem em um momento político particularmente delicado, já que o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que defende relações mais próximas com Moscou, lidera as pesquisas antes de uma eleição estadual neste fim de semana. Policiais alemães fazem buscas em um campo próximo a uma usina após uma segunda tentativa de sabotagem contra a rede elétrica da Alemanha, enquanto a polícia local afirma investigar um ataque a uma subestação em Bergheim, na Alemanha, em 2 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Thilo Schmuelgen “É extremamente chamativo que um aumento desses ataques e incidentes esteja ocorrendo novamente imediatamente antes de eleições”, disse à Reuters o parlamentar Alexander Throm, especialista em política interna dos conservadores que governam a Alemanha. “O objetivo evidente é provocar insegurança na população. É claro que esse é um objetivo compartilhado não apenas pela Rússia, mas também por outros, como extremistas de esquerda.”