Acusação de Berlim eleva ainda mais tensões com Moscou, e recebeu apoio da União Europeia e da Otan; russos prometeram resposta a qualquer ato hostil 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Técnicos forenses da polícia preparam a operação de um robô antibombas perto de uma aeronave ucraniana no aeroporto alemão de Leipzig-Halle — Foto: Hendrik Schmidt/DPA/AFP A Alemanha acusou publicamente a Rússia nesta terça-feira pelo incidente com drones carregados de explosivos no começo do mês passado, que forçou o fechamento do Aeroporto Leipzig-Halle, no leste do país, classificando o caso como um "ataque híbrido". A denúncia ocorre em um momento em que a desconfiança com Moscou atinge um nível alarmante entre a parte europeia da Otan, que tem apoiado de forma o esforço de guerra da Ucrânia contra a invasão russa — o que levou a suspeitas de que o Kremlin pudesse estar se preparando para atacar a Europa. A aliança militar ocidental e a União Europeia demonstraram apoio imediato a Berlim, enquanto autoridades russas prometeram retaliar qualquer ação hostil. — Os meios utilizados para perpetrar o ato [de sabotagem em Leipzig] nos são familiares de outras operações híbridas conduzidas pela Rússia e de sua guerra contra a Ucrânia — afirmou o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, mencionando os componentes tecnológicos e bélicos do drone detonado. — Portanto, o governo alemão conclui que a Rússia é responsável pelo ataque híbrido em Leipzig. O incidente com drones em Leipzig foi registrado em 4 de agosto, quando o aeroporto precisou ficar temporariamente fechado após um funcionário identificar o dispositivo bélico perto de um avião de carga ucraniano. O caso se somou a uma lista de outros eventos envolvendo veículos aéreos não tripulados, projéteis e ameaças cibernéticas. Com a conclusão da investigação, Berlim anunciou ações diplomáticas. O ministro das Relações Exteriores alemão, Joseph Wadephul, declarou que o governo retaliaria com o fechamento do consulado-geral da Rússia em Bonn — última representação diplomática ativa no país — e com o fim do contrato da Casa da Rússia em Berlim, centro cultural que muitos observadores dizem ser usado para espionagem e para veicular propaganda russa. A manifestação também atraiu uma onda de apoio a um dos países centrais da Europa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, manifestou "total solidariedade" à Alemanha e afirmou que o bloco estava unido na "determinação de enfrentar a agressão russa". Prometeu também "dissuadir qualquer um que tente minar" a "liberdade e segurança" do bloco. A chanceler da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que Moscou "não conseguiria intimidar" ou desestabilizar a UE, e que o objetivo russo seria "assustar" os países-membros para que interrompessem a ajuda à Ucrânia. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, conversou por telefone com o chefe do governo alemão, Friedrich Merz, a quem também prometeu solidariedade total. "A Otan continuará a fortalecer nossa capacidade de dissuasão e defesa de todos os aliados contra qualquer ameaça — incluindo ações maliciosas como as vistas em Leipzig e em outros locais da Aliança", escreveu Rutte na rede social X. "As tentativas da Rússia de nos intimidar, de minar nossa unidade e nossa disposição de apoiar a Ucrânia são inúteis e fracassarão." Em todo o continente, declarações de apoio foram enviadas por governos de diversas orientações políticas. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, repetiu a linguagem alemã para classificar a ação em Leipzig como um "ataque híbrido" e pregou que a segurança de um aliado era uma questão de toda a aliança. O premier do Reino Unido, Andy Burnham, referiu-se a um "ataque flagrante e imprudente" no caso do aeroporto alemão e acrescentou que "qualquer ataque dessa natureza terá uma resposta clara". Outros países, como Hungria, Finlândia e Polônia também demonstraram preocupação e apoio. O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, acompanha uma declaração conjunta com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha sobre segurança nacional, no Ministério do Interior, em Berlim — Foto: Tobias Schwarz/AFP Ataque contra a Europa A escalada de tensões com os aliados europeus da Otan acendeu dúvidas sobre um comportamento eventualmente agressivo da Rússia. Durante uma viagem do diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês), John Ratcliffe, a Moscou na semana passada, fontes ouvidas pelo jornal americano Wall Street Journal afirmaram que a agenda — que não foi anunciada publicamente — incluía uma discussão sobre evidências obtidas pelo setor de inteligência de que os russos poderiam lançar algum tipo de ação agressiva contra um aliado europeu. As fontes ouvidas em anonimato pelo jornal americano chegaram a mencionar que o alvo provável deveria ser algum país báltico e que a ação em específico seria algum ataque limitado — de um ciberataque a uma incursão em pequena escala. O presidente americano, Donald Trump, rejeitou as afirmações, classificando a visita como de "semirrotina" — embora Ratcliffe tenha se tornado o primeiro diretor da CIA em anos a ir à capital russa —, enquanto Moscou chamou as alegações de "alarmistas". A Casa Branca e o Kremlin não se manifestaram nesta terça-feira logo após as acusações alemãs serem apresentadas em público. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, porém, fez uma manifestação à agência de notícias local Interfax, declarando que "responderá a todas as ações antirrussas". Analistas e observadores internacionais esperam a manifestação oficial de Washington, que tem sido visto como um ator instável sob a liderança de Trump, sobretudo no que diz respeito à contenção da Rússia e ao apoio à Ucrânia. A administração americana provocou constrangimento aos aliados europeus na segunda-feira, ao confirmarem de última hora a presença do ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, em uma reunião ministerial do G20, realizada em Asheville, na Carolina do Norte. O convite foi condenado por autoridades, sobretudo alemãs, em público na segunda-feira, mas críticas foram reforçadas nesta terça. O comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, disse que a presença de Siluanov era inadequada e que "não é o momento de normalizar" relações com Moscou. — Parece-me que a posição da Europa é conhecida — disse Dombrovskis à imprensa nos EUA. — Não consideramos que seja o momento de normalizar a Rússia, nem sua presença nesses encontros. Pessoalmente, sempre me senti desconfortável em discutir temas delicados com representantes de regimes que travam uma guerra e matam civis diariamente. Fator Kiev No cerne da disputa entre europeus e russos está a guerra na Ucrânia, que os aliados condenam como uma guerra de agressão. O apoio europeu tem sido considerado fundamental pelo governo ucraniano, que resistiu até aqui a uma capitulação — e tem mantido a todo custo o canal com Bruxelas, o que levou a uma aproximação histórica entre as partes. A União Europeia anunciou nesta terça-feira que receberá especialistas militares da Ucrânia em uma nova iniciativa para orientar os países europeus sobre como preencher rapidamente as lacunas nas defesas do continente, enquanto o continente busca reforçar suas capacidades diante de uma Rússia agressiva. — A Europa está investindo mais em defesa do que nunca, mas gastar, por si só, não é uma garantia de sucesso automaticamente — disse Kallas a jornalistas após uma reunião dos ministros da Defesa da União Europeia na Irlanda.— Não fomos rápidos o suficiente para cobrir as lacunas no poderio militar convencional da Europa dentro da Otan. Em uma declaração após a condenação pública alemã à Rússia, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, alertou que o ataque híbrido ao aeroporto de Leipzig faz parte da estratégia agressiva russa em relação não apenas à Alemanha, mas ao restante da Europa. — Atos de sabotagem, desinformação, interferência eleitoral, espionagem, ataques a infraestruturas críticas e instalações industriais. Esses não são incidentes isolados, mas parte da estratégia deliberada da Rússia. E não podem ficar impunes, pois isso apenas alimentará o apetite do agressor. Expressamos nossa solidariedade à Alemanha e pedimos respostas firmes às ações audaciosas da Rússia, incluindo sanções adicionais — disse o chanceler, alertando para o caráter decisivo que tais respostas teriam, sobretudo antes das eleições que ocorrerão em toda a Europa no próximo ano. (Com AFP)
Alemanha acusa Rússia de usar drone com explosivos contra aeroporto do país: 'Ataque híbrido'
Acusação de Berlim eleva ainda mais tensões com Moscou, e recebeu apoio da União Europeia e da Otan; russos prometeram resposta a qualquer ato hostil













