A surpresa despontou durante o debate da Band, na noite de 23 de agosto: o médico e escritor Augusto Cury era o campeão de buscas na internet. Augusto de quê? Passou-se uma semana e a surpresa encorpou. As pesquisas BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg colocaram-no à frente de todos os aspirantes à terceira via. Cury saiu do nada e conseguiu 8% na do BTG e 7,8% na do AtlasIntel. É uma mixaria, já que Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro tem 30%. Na pesquisa estimulada, quando o entrevistado recebe um cartão com os nomes dos candidatos, marcou 11%, contra 2% da pesquisa anterior. Continua sendo uma mixaria. Não é mixaria o fato de ele ter pulado de 8,3 milhões de seguidores para 10,5 milhões em menos de uma semana, um dos maiores incrementos do mundo.

Com 35 segundos no horário gratuito de TV ele seria um projeto de Enéas nas campanhas de 1989, 1994 e 1998. Ele só podia dizer que "meu nome é Enéas". Passados mais de 30 anos, as campanhas têm outra química e fica uma pergunta: para onde irão esses votos num segundo turno? O sonho de Ronaldo Caiado e Romeu Zema era chegar a setembro com dois dígitos nas pesquisas. Até agora, não deu.

Cury não se apresenta como portador de uma bala de prata. Ele é um reflexo de um eleitorado que não sabe precisamente o que quer, mas identifica o que não quer: PT e Bolsonaro.