Cada R$ 1 adicionado ao preço do litro do QAV (querosene de aviação) reduz em 225 mil o número de passageiros transportados, estima a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), entidade que reúne as companhias aéreas que operam no país. Os reajustes já elevaram em R$ 6,3 bilhões os gastos da aviação comercial com combustível desde o início do ano.
O QAV responde atualmente por 42% dos custos das empresas do setor. Antes do início do conflito no Oriente Médio, era 30%, avalia a Abear.
A Petrobras anunciou nesta terça-feira (1º) um reajuste de 13,9% no preço médio do QAV, elevação de R$ 0,68 por litro. Com a mudança, o valor passou a variar entre R$ 5,44 e R$ 5,70 nas refinarias. No acumulado do ano, a alta chega a 53,3%.
A estatal atribui o reajuste às tensões geopolíticas. A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, afetou a logística internacional do petróleo. O ponto central da instabilidade é o Estreito de Ormuz, rota por onde passava 20% da produção mundial de óleo e gás antes do conflito.
O aumento na pressão dos custos vem em um momento em que o crescimento de mercado do transporte aéreo regular é uma meta central da política pública do setor. Daniel Longo, secretário de aviação do governo, disse em evento da FGV (Fundação Getúlio Vargas), realizado no escritório de advogados Pinheiro Neto, em São Paulo, que o segmento deveria ambicionar o crescimento do mercado doméstico e a garantia de alcance do transporte em localidades pouco atendidas —objetivos mais difíceis de alcançar com o aumento do custo da operação.









