Para integrantes da campanha, mensagens colocam corrupção novamente no centro do debate eleitoral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição — Foto: Adriano Machado/Reuters A revelação das mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro causou frustração no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esperava ter uma "semana de retomada" para a imagem do petista, com a votação de projetos importantes no Congresso. Entre membros da campanha, as revelações ofuscaram uma "discussão propositiva" e trouxeram o tema da corrupção de novo ao centro do debate nacional e eleitoral. O Congresso vive uma semana de esforço concentrado com prioridades definidas pelo governo junto às lideranças das duas Casas, como a medida provisória (MP) do fim da "taxa das blusinhas" e as propostas de emenda à Constituição (PECs) do fim da escala 6x1 e da Segurança Pública. A avaliação interna no PT é que, mesmo que alguma delas não seja votada – como pode acontecer com a da jornada de trabalho, que está longe da unanimidade –, o debate poderia ser usado politicamente por Lula e pela campanha. No caso da 6x1, os petistas exploram o tema, com a crítica de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) interrompeu sua campanha à Presidência da República para votar contra o projeto no Senado nesta terça-feira (1º). Da mesma forma, com as blusinhas, mesmo com a resistência colocada pela oposição e por setores produtivos nacionais, o governo tem tentado firmar o discurso de que quer suspender a taxa de importação para produtos de até US$ 50 por lutar por "pautas populares". As mensagens identificadas pela Polícia Federal (PF), reveladas na tarde de ontem, atrapalharam esses planos de retomada, reclamam aliados do presidente. O possível envolvimento do ministro do STF com o dono do extinto Master virou o assunto principal na imprensa e nos corredores dos prédios dos três Poderes em Brasília e fez sombra até às novas revelações sobre as quantias repassadas por Vorcaro ao filme "Dark Horse", caso que envolve Flávio Bolsonaro. Como o Valor mostrou, o plano do PT nesta manhã foi intensificar essa relação no imaginário do eleitor. Integrantes da campanha e da bancada no Congresso passaram o dia em reuniões. Petistas se queixam de que o caso volta a arrastar a pauta da corrupção e da disputa no Judiciário para o centro do debate eleitoral. Neste caso, com um agravante que preocupa partidários do presidente, embora evitem tratar publicamente do tema: a ligação entre as imagens de Moraes e do governo Lula nos últimos anos, em especial após o julgamento dos atos golpistas de 8 de Janeiro. Partidários lembram, por exemplo, que durante o último desfile de 7 de Setembro, em Brasília, o apelido "Xandão" foi gritado pelo público entusiasmado assim que o ministro apareceu na tribuna. O mesmo público gritou também, feliz, o nome de Lula. Apoiadores apontam ainda que, "do outro lado", está o ministro André Mendonça, que solicitou que o colegiado da Corte analise o teor do relatório em sessão pública e “transparente”. O magistrado foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Se o ministro, atual vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já era visto com certa reserva por lulistas, agora eles se mostram ainda mais ressabiados. A proximidade com a eleição é o que mais acende alerta no entorno de Lula. Pessoas envolvidas na campanha e no governo apontam que qualquer clima de instabilidade em um momento decisivo como este pode ser sempre mais prejudicial para o atual chefe do Executivo. Lamentam, ainda, que não há nada que o presidente possa nem deva fazer, já que é uma crise instalada no Judiciário, e que deverá ficar longe de sua esfera de atuação.
PT avalia que revelações sobre Alexandre de Moraes e Vorcaro ofuscam pauta positiva de Lula
Para integrantes da campanha, mensagens colocam corrupção novamente no centro do debate eleitoral












