Flávio Bolsonaro defende renúncia; Zema lembra pedido de impeachment, Renan Santos ameaça fazer campanha contra Alcolumbre e Caiado cobra explicações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante sessão plenária — Foto: Brenno Carvalho/O Globo Candidatos à Presidência repercutiram, ao longo desta terça-feira, as novas informações sobre as ligações entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Até o momento, Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) se pronunciaram sobre o caso, com manifestações que incluem pedidos de renúncia e impeachment, além de cobranças por explicações. Abordado por jornalistas ao chegar ao Senado, onde presidiria uma sessão da Comissão de Segurança Pública, Flávio afirmou que a situação de Moraes é “muito grave” e disse estar “impactado” com a revelação de que o ministro teria analisado o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. — Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição de ele continuar sendo ministro do Supremo — afirmou o senador. O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, reagiu às informações em publicações nas redes sociais. Chamou o ministro de “projetinho de ditador” e lembrou que, quando ainda governava Minas Gerais, protocolou, em março deste ano, um pedido de impeachment contra Moraes. Durante visita à Expointer, feira agropecuária realizada em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Augusto Cury afirmou a jornalistas ser necessário acabar com a vitaliciedade dos cargos de ministro do STF. — Temos de romper com isso. Eu tenho o respeito de vários ministros do Supremo, mas sou o único que fala isso — disse o candidato. Em entrevista coletiva convocada para comentar a decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu sua candidatura no fim da tarde desta terça-feira, Renan Santos associou a medida a uma tentativa de atingir sua campanha e seu partido. Segundo ele, a legenda tem se destacado pela produção de conteúdos e pela convocação de manifestações relacionadas ao escândalo do Banco Master. — Minha campanha começou junto com a grande cobertura da imprensa sobre o escândalo do Banco Master. Fui o candidato que mais produziu conteúdos e convoquei quatro manifestações sobre o caso. Dias Toffoli, assim como Alexandre de Moraes, está envolvido até o pescoço nesse escândalo — disse. Renan também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a quem cabe decidir se dá andamento aos pedidos de impeachment apresentados contra ministros do STF. Segundo o candidato, Alcolumbre estaria “sentado” sobre as solicitações, apesar da gravidade das revelações envolvendo Moraes e Toffoli. O candidato fez ainda referência a conversas vazadas que, segundo ele, exporiam a dinâmica de reuniões entre figuras políticas e Daniel Vorcaro, além do suposto interesse de Alcolumbre por “moças suíças” que participavam desses encontros. — O senhor Davi Alcolumbre, presidente do Senado, está sentado sobre esses pedidos de impeachment, mesmo sabendo de tudo o que foi revelado. De acordo com as conversas que vazaram, ele costumava ficar muito interessado nas moças suíças que participavam das reuniões. Todo mundo sabe como isso funcionava — afirmou. Renan ameaçou ainda levar a disputa ao reduto eleitoral de Alcolumbre. Disse que poderá ir ao Amapá fazer campanha contra o senador e seus aliados caso ele não dê andamento a nenhum dos pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do Supremo. Sem citar Moraes nominalmente, Ronaldo Caiado publicou uma mensagem nas redes sociais na qual afirmou que, “não importa se o nome é de um senador ou de um ministro do STF”, quem usou a proximidade com o poder para “blindar o banqueiro” deve explicações completas ao país, “sem exceção”. O GLOBO procurou a campanha do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em busca de um posicionamento sobre o assunto, mas não obteve resposta.