Quando a Shein se apresentou ao mundo, no auge de sua popularidade, há alguns anos, a empresa anunciava uma nova era para a moda —baseada em velocidade, tecnologia e um sistema sob demanda capaz de criar 4.700 novos modelos por dia.
Hoje, esse modelo parece cada vez mais um vestígio do passado.
Nas pequenas fábricas que formam a espinha dorsal das operações da Shein no centro manufatureiro de Guangdong, no sudeste da China, não há robôs humanoides, computadores quânticos ou tecnologia de ponta. Em vez disso, dezenas de trabalhadores cumprem jornadas de 10 a 14 horas —de uma maneira que, segundo alguns, remete à China de décadas atrás.
"Isso representa a tecnologia antiga, em oposição à nova tecnologia", disse Nirgunan Tiruchelvam, que lidera a divisão de consumo e internet da Aletheia Capital, uma consultoria de investimentos focada na Ásia. "A Shein teria atraído muito mais investidores em 2021. Mas o mundo mudou desde então, deixando para trás as grandes estreias de empresas de comércio eletrônico."
Na terça-feira (1), os investidores concordaram em grande medida. As ações da Shein chegaram a cair 10% antes de recuperar parte das perdas e fechar perto do preço da oferta, em uma estreia decepcionante para uma empresa que já foi avaliada em US$ 100 bilhões (R$ 518 bilhões) e hoje vale cerca de um quarto desse valor.














