Na capital do Nepal, familiares de pessoas desaparecidas após as devastadoras inundações de quarta-feira espalham fotografias em hospitais na tentativa de encontrar algum sinal dos parentes. No hospital universitário da Universidade Tribhuvan, imagens de nepaleses e estrangeiros de diferentes idades cobrem uma parede de 25 metros de comprimento e também foram fixadas nas colunas externas. Quase 4.500 pessoas continuam desaparecidas após o colapso de uma geleira no Himalaia, na fronteira entre Tibete, território sob controle da China, e Nepal. O fenômeno provocou uma parede de água gelada, lama e detritos semelhante a um tsunami e deixou mais de mil mortos. Entre os desaparecidos, cerca de 4 mil estavam no Nepal, incluindo quase 600 estrangeiros. Prakash Chhetri, de 46 anos, colocou na parede uma fotografia do irmão. — Ele levava nove peregrinos a Gosaikunda — disse. — Dos nove, um sobreviveu depois de saltar do veículo. Veja fotos das Inundações no Nepal 1 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio após inundações — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 2 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Equipes de resgate usam uma escavadeira para transportar uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 4 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 5 de 13 Equipes de resgate carregam uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 6 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 7 de 13 Moradores observam casas parcialmente submersas em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 8 de 13 Uma casa fica parcialmente submersa em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 9 de 13 Moradores observam uma torrente de água barrenta avançar por um rio após inundações repentinas no Nepal em 26 de agosto de 2026. — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 10 de 13 Uma torrente de água barrenta avança por um rio após inundações repentinas em Galchhi, no distrito de Dhading, no Nepal — Foto: AFP X de 13 Publicidade 11 de 13 Uma inundação massiva atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, em 26 de agosto, danificando estradas e a infraestrutura de energia enquanto as autoridades se mobilizavam para avaliar a extensão da destruição — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 12 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 13 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prabin RANABHAT / AFP Esperança das famílias As imagens reunidas na parede mostram pessoas de diferentes idades e perfis. Há fotografias de uma mulher de 30 anos, outra de 35 e sua filha de 8 anos, além de jovens atletas e de um integrante da comunidade sherpa, que usava óculos escuros e uma jaqueta esportiva quando desapareceu. Também há o retrato de uma mãe usando um gorro de lã e segurando uma criança pequena. Debu Sapkota, motorista de 58 anos, foi ao local para publicar fotografias da sogra, de 83 anos, e da neta, desaparecidas em Trishuli Bazaar. Segundo ele, um alerta de emergência havia sido emitido, mas a idosa era “velha demais para correr”. — Sua neta estava ajudando-a a fugir, mas as duas foram arrastadas. Veja imagens aéreas de como ficou cidade do Nepal varrida por deslizamento no Himalaia Sapkota afirma que já não tem “nenhuma esperança de que tenham sobrevivido”, pois as duas foram vistas sendo levadas pela correnteza. — Estou aqui com a esperança de encontrar seus corpos — afirmou. Estrangeiros e peregrinos entre os desaparecidos Entre as fotografias expostas estão imagens de trabalhadores e engenheiros chineses que atuavam em obras de usinas hidrelétricas. Há ainda o retrato de um comerciante chinês que transportava mercadorias pela passagem fronteiriça de Rasuwa. Também aparecem imagens de peregrinos indianos que seguiam para o Monte Kailash, no Tibete, além de uma turista americana. Uma multidão passa constantemente em frente à parede de fotografias. Algumas pessoas usam os celulares para registrar as fileiras de rostos de desaparecidos. Perto dali, no necrotério do hospital, também estão expostas imagens de corpos recuperados da lama. Apesar da dificuldade, familiares tentam reconhecer os mortos. Raj Kumari Tamang, de 20 anos, foi ao necrotério em busca do pai, Moti Lal Tamang. — Meu pai, Moti Lal Tamang, tinha ido ao bazar de Trishuli para pagar a conta de luz — contou. Segundo ela, o rastreador do telefone do homem indica que ele foi visto pela última vez perto da ponte de Trishuli, destruída pela inundação. — Não sei mais nada sobre o que aconteceu com ele — disse. Identificação de corpos A polícia instalou um escritório em um pátio ao ar livre para auxiliar na identificação das vítimas. — Recebemos 94 corpos — disse à AFP Om Bahadur Rana, policial responsável por administrar os corpos após o desastre. Segundo ele, todas as vítimas pareciam ser nepalesas. — Identificamos apenas 12 corpos e os entregamos às famílias — acrescentou. A busca por informações também continua pela internet. Uma página do governo reúne dados sobre sobreviventes e desaparecidos, enquanto pedidos de ajuda são publicados nas redes. Uma das mensagens relata: "Ontem vimos um vídeo de uma criança tentando se libertar da lama que a prendia; ela era exatamente igual ao meu sobrinho".
Familiares espalham fotos em hospitais em busca de entes queridos após enchentes no Nepal
Quase 4.500 pessoas continuam desaparecidas após o colapso de uma geleira no Himalaia; parede de hospital em Katmandu virou ponto de busca por parentes













