Presidente evitará Estados onde há conflitos internos, como Pernambuco e Maranhão; os que dão vitória ao PT seguirão tendo a atenção 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 João Campos: candidato oficial da chapa Lula-Alckmin tem pressionado para que o petista vá a Recife como sempre foi — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo - 23/3/2022 Com entraves em alguns Estados do Nordeste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá focar suas atenções, antes do primeiro turno, nos três maiores colégios eleitorais do país (São Paulo, Rio e Minas Gerais), onde disputa voto a voto com o senador Flávio Bolsonaro (PL). A campanha avalia como mais estratégico tentar manter um quadro favorável no Sudeste à medida que a votação em locais considerados “lulistas” é tida como cristalizada. Se, em 2022, o petista fez questão de passar por todas as capitais nordestinas para fixar o nome em seu reduto político, em 2026, a campanha tentará evitar locais com conflitos internos, como em Pernambuco e no Maranhão, e focar onde, além de populoso, tem mostrado possibilidade de crescimento para ele. Pesquisas de intenção de voto e levantamentos internos da campanha trazem Lula e Flávio tecnicamente empatados em São Paulo e Minas. No maior colégio eleitoral do país, o objetivo é manter essa proximidade ao máximo. Apesar de berço do partido, o PT nunca governou o Estado e a última (e única) vez que ganhou no voto para presidente foi em 2002, na primeira eleição de Lula (embora, em 2022, a capital paulista tenha sido fundamental para a vitória petista). Por isso, para os estrategistas, manter o cenário apertado é pragmaticamente mais interessante do que apostar em diversas frentes pelo país. Com isso em mente, este deverá ser o Estado mais visitado, com idas à capital, ABC, interior e Baixada Santista. Em Minas, a intenção é avançar sobre Flávio, que também carece de um palanque forte, e acabar na frente, como no pleito passado. Não por acaso, Lula bateu o pé e enfrentou o diretório estadual para lançarem candidatura própria, com o deputado Patrus Ananias (PT), ex-prefeito de Belo Horizonte. Em duas semanas, Lula já foi duas vezes à capital mineira e deverá fazer comícios no interior. No Rio, terra de Flávio, o objetivo é perder por menos. Também com ato já realizado na capital, Lula quer agora se voltar à Baixada, forte reduto do adversário, e entre o público evangélico, que, desde 2018, aderiu com força ao bolsonarismo. No Estado, uma derrota não seria surpresa, mas os petistas querem aproveitar a confusão no PL local, com a inegebilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL), e da proximidade com o governador interino, desembargador Ricardo Couto, a quem o presidente tem feito elogios. No Nordeste, diferentemente dos outros anos, uma série de fatores - entre eles, o excesso de apoios - tem feito a campanha pensar duas vezes se vai ou não desembarcar em alguns Estados favoráveis. Pernambuco, terra natal de Lula, onde o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB) desafia a governadora Raquel Lyra (PSD), apresenta a situação mais delicada. Distante de Lula em 2022, ela se tornou uma figura frequente no Palácio do Planalto e estabeleceu um governo ao centro, em um estilo que o petista gosta. João Campos, no entanto, é presidente nacional do PSB, candidato oficial da chapa Lula-Geraldo Alckmin (PSB) e tem pressionado para que o petista vá a Recife, como sempre foi. Em uma das capitais mais lulistas do país, aliados ponderam que a presença do presidente pode ser o impulso que faltava para que o pessebista ultrapasse a governadora nas pesquisas. Oficialmente, Lula diz que Campos é seu candidato, tanto que gravou vídeos para a campanha, mas, mesmo assim, auxiliares admitem hesitação à visita neste primeiro momento. No Estado do principal adversário, o objetivo é perder por menos No Maranhão, o cálculo é parecido. Terceiro Estado em que Lula teve mais votos proporcionais em 2022, atrás apenas do Piauí e da Bahia, o presidente tem os três primeiros candidatos simpáticos a seu nome. Uma briga entre os grupos do ex-governador e hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e do governador Carlos Brandão (MDB) fez com que o partido interviesse e lançasse o ex-vice-governador Felipe Camarão (PT) para enfrentar Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual mandatário. A desunião de um grupo que governa o Estado desde 2014 trouxe o favoritismo ao ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD). Camarão e Brandão apoiam Lula publicamente. Braide não se associa diretamente, mas tampouco o critica e, em seu palanque, o deputado André Fufuca (PP), ex-ministro e candidato ao Senado, pede votos ao ex-chefe. Além dele, nesta disputa, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), também dizem estar junto a Lula. Com este quadro, avalia o QG petista, é melhor manter distância e contar com os votos consolidados. Mas, como disputas locais são condicionadas aos acordos nacionais, questões de governo têm feito Lula repensar agendas. Não totalmente descartada, a campanha petista tem visto entraves em ir ao Paraíba, mais um Estado onde tem boa votação. Sem candidato próprio, a chapa acabou fazendo aliança com o ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB) ao governo, além de Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e João Azevedo (PSB) ao Senado. A Casa, no entanto, também tem como postulante o empresário Nabor Wanderley (Republicanos), pai do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, com quem o petista busca manter uma boa vizinhança. Outros Estados estão na outra ponta do cálculo. Bahia, Ceará e Piauí, que dão vitória a Lula e ao PT desde 2002 e onde o partido busca reeleição, deverá seguir tendo a atenção para o presidente. Na sexta-feira (28), foi a Salvador pedir votos para o governador Jerônimo Rodrigues (PT), gesto que deverá repetir em Fortaleza e no sertão cearense para Elmano de Freitas (PT) e em Teresina para Rafael Fonteles (PT) - dos três, só o piauiense está com folga nas pesquisas, com provável vitória no primeiro turno.