Em 2022, ambos os estados deram cerca de 70% dos votos ao presidente no segundo turno 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Pablo Porciúncula/AFP Maior reduto eleitoral petista, o Nordeste foi priorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período de convenções. Lula esteve no sábado na Bahia durante o lançamento da candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues. No dia anterior, fez o mesmo com o governador Elmano de Freitas, que busca novo mandato no Ceará. Às vésperas do início da campanha, o PT enfrenta cenário desafiador nos dois estados-chave do Nordeste para a candidatura de Lula à reeleição, que será oficializada neste domingo, em São Paulo. Em 2022, ambos deram cerca de 70% dos votos ao petista no segundo turno. O PT tem outras três candidaturas próprias no Nordeste. Mas apenas o governador do Piauí, Rafael Fonteles, é favorito. No Rio Grande do Norte, o secretário estadual de Fazenda Cadu Xavier tem Álvaro Dias (PL) e Allyson Bezerra (União) como adversários bem posicionados. Já no Maranhão, o vice-governador Felipe Camarão ainda não ganhou tração nas pesquisas, estando atrás de Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB) . Disputa se repete A Bahia repete o embate de 2022 entre Jerônimo e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). Pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada mostra um cenário de empate técnico: ACM tem 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% do petista. Na sondagem de segundo turno, o ex-prefeito marca 43% e Jerônimo, 39%. Para o cientista político Cláudio André de Souza, da Unilab, a Bahia é fundamental ao PT na derrota de alianças de direita que passam pela disputa direta com o bolsonarismo. Embora rejeite a possibilidade de ter Flávio Bolsonaro no palanque, a chapa de ACM tem um nome do PL ao Senado. — O carlismo possui clara força nas grandes cidades. Mesmo assim, o PT ganhou de 2006 a 2018 no território metropolitano. Somente esteve atrás em 2022. O desafio está na força da oposição, que reside em um discurso forte calcado na gestão e na melhoria de agendas como saúde, segurança e educação — avalia. Outro entrave para Lula no estado é a conexão do PT baiano com o caso Master. Jaques Wagner é suspeito de ter atuado em defesa de interesses do banco em troca de vantagens indevidas, segundo a Polícia Federal. Na Bahia, Lula soma 52% das intenções de voto no primeiro turno, segundo a Genial/Quaest. Já Flávio, 18%. No Ceará, Elmano aparece dez pontos percentuais atrás do ex-governador Ciro Gomes (PSDB) na Genial/Quaest da semana passada. O tucano tem 43% no primeiro turno, contra 33% do petista. Na simulação de segundo turno, a distância é ainda maior: 13 pontos (48% contra 35%). O PT buscou formas de fortalecer a chapa de Elmano nos últimos meses, em uma articulação que conta com o ex-governador Camilo Santana na linha de frente. Uma das frentes de ação foi a costura da candidatura do senador Cid Gomes (PSB) à reeleição, colocando os irmãos Ferreira Gomes em palanques opostos. Embora tenha a gestão aprovada por 52% dos eleitores, Elmano enfrenta a força do espólio político de Ciro no estado. A cientista política Monalisa Torres, da Universidade Estadual do Ceará, avalia haver um “sinal de alerta” do PT ao Nordeste. O cenário, segundo ela, é uma reação à consolidação de uma base antipetista, alinhada ao bolsonarismo. — No Ceará, por exemplo, o bolsonarista André Fernandes quase foi eleito à prefeitura de Fortaleza há dois anos— destaca a pesquisadora, que completa: — A candidatura de Ciro alinhou-se a esse movimento. No Ceará, Lula marca 55% das intenções de voto no primeiro turno na Genial/Quaest, contra 22% de Flávio.