Os studios, ou apartamentos compactos, não são novos no mercado imobiliário. Como relata Raul Lores no livro "São Paulo nas Alturas", a tipologia cresceu nos anos 1940, e, entre 1951 e 1952, o Banco Nacional Imobiliário lançou mais de 1.500 "quitinetes" na capital paulista. Em 1954, o edifício Montreal, de Oscar Niemeyer, tornou-se o primeiro arranha-céu de quitinetes em São Paulo, com apartamentos a partir de 29 m².

O modelo se espalha mundo afora. Em Paris, as "chambres de bonne", de cerca de 10 m², eram alojamentos de empregados domésticos e hoje possibilitam que estudantes e jovens trabalhadores tenham acesso à cidade. Nos anos 2010 em Nova York, o zoneamento foi flexibilizado para permitir unidades a partir de 20 m² como alternativa à crise habitacional.

Hoje, studios dominam os lançamentos nas grandes cidades brasileiras. Em São Paulo, a categoria de imóveis de um dormitório, da qual fazem parte, representou cerca de um terço dos lançamentos do ano. Enquanto em 2016 foram lançadas 2.900 unidades desse tipo, em 2025 foram quase 44 mil. No entanto, essas construções são demonizadas pela opinião pública.

O principal argumento é que esses studios não servem mais como moradia, mas como um ativo financeiro listado em plataformas de aluguel por temporada. Empresas de listagem de aluguel por temporada, como a líder AirBnB, não divulgam o número de anúncios por cidade, mas a AirDNA, base proprietária tratada como referência no setor, aponta cerca de 34 mil listagens de um dormitório em São Paulo.