Realização de exposições é alívio temporário após suspensão do calendário, mas preocupa produtores: 'Quando a cidade perde um espaço, todo o cenário perde' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Centro Cultural Correios, no Centro do Rio — Foto: Leo Martins RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A estatal enfrenta uma grave crise financeira, com prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre. A empresa revisará o modelo de cessão do espaço para o próximo ano. O espaço é estratégico para novos artistas devido ao baixo custo de produção, com projetos a partir de R$ 10 mil. A localização central também atrai o público. A desorganização interna gerou cancelamentos e frustração entre produtores. Algumas galerias preferem evitar o espaço temporariamente até que novas diretrizes de ocupação sejam divulgadas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Depois de suspender o seu calendário de exposições, o Centro Cultural Correios, no Centro do Rio, garante que as mostras que já estavam em processo de produção estão mantidas — pelo menos no que diz respeito à programação prevista ainda para este ano. Inicialmente, toda a agenda até dezembro estava sob risco de cancelamento, em meio à reestruturação financeira na estatal. Em junho, como noticiou O GLOBO, a instituição havia comunicado a suspensão a artistas, curadores e toda a equipe de produtores, justificando que o momento era de readequação interna. Parte dessas equipes já contava com quase toda a organização pronta para abrir as mostras desde o início do ano e estava receosa com a possibilidade de não serem apresentadas, tendo em vista que era desejo de muitas produções estar em cartaz no período da ArtRio, entre 16 e 20 deste mês para o público geral, quando a capital estará movimentada por pessoas do circuito. A decisão do centro cultural, portanto, trata de manter o compromisso firmado com os realizadores. Prejuízo de R$ 5,6 bilhões O movimento ocorre enquanto a estatal que mantém o centro cultural passa por uma grave crise, podendo encerrar 2026 com o pior resultado de sua história. No primeiro semestre do ano, o prejuízo nos Correios chegou a cerca de R$ 5,6 bilhões. Por meio de uma nota enviada ao GLOBO, a empresa afirma que está revisando o seu modelo de cessão de uso do espaço “com foco na otimização de recursos e na sustentabilidade”. Para o ano que vem, os Correios devem elaborar novas diretrizes e critérios para a ocupação do centro cultural, que ainda não foram divulgados: “As tratativas com os proponentes e as produções culturais estão em curso”, afirma o texto. Atualmente em cartaz, desde 19 de agosto, a exposição “Matéria familiar”, de Maria Cherman e Nathalie Ventura, avó e neta, com curadoria de Ana Carla Soler, faz parte dessa orientação de tentar cumprir o calendário previsto para este ano. A mostra, na verdade, estava marcada para abrir em 8 de julho. — Os Correios sempre representaram uma grande oportunidade para muitos artistas, principalmente para aqueles que buscam fazer as suas primeiras exposições individuais. É uma oportunidade de entrada no mercado — afirma Nathalie. Centro Cultural Correios, no Centro do Rio — Foto: Leo Martins O caos na programação da instituição tem deixado realizadores espantados. Uma das exposições suspensas, segundo relato ouvido pela reportagem, já tinha obras produzidas, texto elaborado e toda a organização encaminhada. Sem uma resposta concreta, a mostra foi cancelada pela própria equipe. Quando o centro cultural finalmente procurou os responsáveis, oferecendo uma nova data com apenas dez dias de antecedência, a exposição já estava comprometida com um outro espaço. Futuro incerto Enquanto isso, galerias já preferem desconsiderar o espaço temporariamente para futuras exposições de seus artistas, a ideia é esperar para saber o que acontecerá após a reestruturação. A instituição é sempre muito procurada por produções de artistas em começo ou meio de carreira em parte pelos custos. O Centro Cultural Correios cede apenas o espaço, e essas equipes arcam com todas as despesas para colocar a exposição de pé (pacote gráfico, montagem, iluminação, curadoria). Ainda assim, em salas menores, alguns projetos podem ser realizados com orçamentos a partir de R$ 10 mil, um valor não tão alto em relação a outros espaços. Além dos valores, o espaço costuma ser procurado em razão de sua localização, em um importante circuito artístico no Centro do Rio que inclui ainda o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Casa Brasil e o Paço Imperial, além de galerias e outros espaços expositivos que se instalaram na região nos últimos anos. Na direção artística de “Reencantar a terra”, de Matheus Ribs, atualmente em cartaz, e de uma individual de Thix, ainda não aberta no local, Carla Oliveira observa que a visibilidade da instituição é importante para a carreira dos artistas, mas teme pelo futuro do espaço e pela sua continuidade como centro cultural que reúne diferentes vertentes da arte. — É uma instituição que joga muito os artistas para cima. Dali, a gente tem a oportunidade de acessar grandes acervos. Tem potencial de alavancar carreiras inclusive de artistas que muitas instituições, às vezes, não abrem (espaço). Geralmente, as pessoas querem algo que já está acontecendo — comenta. — Quando a cidade perde, ou passa pela possibilidade de perder mais um espaço, todo o cenário perde com isso
Em meio à crise, Centro Cultural Correios garante exposições até dezembro, e setor teme pelo espaço no Rio
Realização de exposições é alívio temporário após suspensão do calendário, mas preocupa produtores: 'Quando a cidade perde um espaço, todo o cenário perde'






