Nos últimos 150 anos, o Rio sofreu inúmeras mudanças no Centro. Morros foram destruídos, ruas e avenidas criadas, praias desapareceram do mapa, e por aí segue 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Cinelândia ainda em construção, já sem o Convento da Ajuda, fechado em 1911 — Foto: Autoria não identificada/ Acervo IMS RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 22:19 Transformações Urbanas Apagam História do Centro do Rio de Janeiro Nos últimos 150 anos, o Centro do Rio de Janeiro passou por intensas transformações, com demolições de marcos históricos como a Igreja São Pedro dos Clérigos e o Convento da Ajuda, para dar lugar a novas avenidas e cinemas. Praias desapareceram e bairros foram isolados, marcando a perda do passado em nome do progresso urbano. A memória dessas preciosidades, como o Chafariz das Marrecas e a praia de Santa Luzia, permanece uma lembrança viva na história da cidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Não tinha jeito. Para a Avenida Presidente Vargas ser aberta, uma preciosidade do século XVIII precisava ser demolida. Por mais que houvesse protestos a favor da Igreja São Pedro dos Clérigos, nada e ninguém conseguiu convencer o Governo. No desespero, até foi proposto que tentassem colocar rodas na Igreja para tentar a locomoção. Não deu. Em 1944, um dos mais cortejados templos da fé no Brasil foi ao chão. Os registros nos levam a um povo inconsolável. De quebra, a nova avenida ainda destruiria a Praça Onze e isolaria diversas áreas do Centro, como a Marechal Floriano. Os pedestres teriam que fazer muito mais esforços para encontrar os dois lados de um mesmo bairro. De Casimiro de Abreu ao Vasco: os OVNIS estão por aíCordovil e Brás de Pina: o subúrbio está abandonado Na hoje Cinelândia, o Convento da Ajuda começou a ser erguido no século XVII, mas só foi inaugurado no século XVIII. E ele viveu de tudo. Em 20 de março de 1816, a Rainha Dona Maria I morreu na hoje sede da Procuradoria Geral do Estado, em frente à Praça XV. A cidade se vestiu de preto. Onde ela foi enterrada? No Convento da Ajuda. Décadas depois, em 1893, a belíssima construção virou alvo de guerra. Durante a Revolta da Armada, marinheiros rebelados bombardearam a cidade e, ao invés de acertarem o Itamaraty, acertaram a igreja do convento. O teto foi atingido, o interior seriamente danificado, e as freiras, avisadas de que era melhor meter o pé, decidiram ficar. Em 1911, o convento foi fechado e demolido para dar lugar aos cinemas. Ainda nessa região do Centro, cinco marrecas de bronze jorravam água pelo bico em um chafariz de 1785. O Chafariz das Marrecas acabou influenciando até a mudança do nome da rua. Deixou de ser “Rua das Belas Noites” e virou “Rua das Marrecas”. A obra do Mestre Valentim, uma das figuras mais importantes do barroco brasileiro, tinha as estátuas de Eco e Narciso — há pesquisadores que defendem que elas são as primeiras esculturas de metal fundidas no Brasil. Tudo isso foi demolido em 1896 para, entre tantos motivos, ampliar o quartel da Polícia Militar. No Jardim Botânico ainda é possível encontrar as estátuas. Especialmente nos últimos 150 anos, o Rio sofreu inúmeras mudanças no Centro. Morros foram destruídos, ruas e avenidas criadas, praias desapareceram do mapa, e por aí segue. A perda da capital para Brasília, em 1960, deixou também como herança o esvaziamento. Burocratas, embaixadas e políticos, de uma hora pra outra, já não mais zanzavam. Lojas e mais lojas foram fechadas e diversas empresas acompanharam o novo fluxo do dinheiro estatal. Da época, ainda temos alguns elefantes brancos, como o Palácio da Fazenda, na Antônio Carlos. Agora, estamos assistindo a novos planos para o Centro. Espero que não esqueçam o nosso passado. Ou será que vão demolir ou deixar cair como tantos outros fizeram? Já que falei de praia... O mar ia até a Igreja de Santa Luzia, no Centro, mas não se engane com o cenário sagrado: a vizinhança da praia de Santa Luzia era tudo, menos convidativa. Por volta de 1830, havia um matadouro de bois pertinho, trazendo cheiro forte, mosquitos e urubus. Um cemitério público estava a poucos metros. Mesmo assim, a moçada ia cedo para os banhos de mar, considerados bons para a saúde. O matadouro foi embora em 1853, e a praia virou memória em 1922, engolida pelo aterro da demolição do Morro do Castelo. Hoje, o que sobrou do mar de Santa Luzia é um resto de muro que continha a água — preservado, acredite, dentro de uma garagem. Mais uma vez Não é que bandidos arrombaram mais uma vez a Banca do André, na Cinelândia, e roubaram diversos produtos? Além de importante produtor cultural, André é um resiliente. Já perdemos as contas de quantas vezes foram. Nem parece que o 5º Batalhão de Polícia Militar está a poucos passos de distância. Convento do Carmo Vale muito a visita ao antigo Convento do Carmo, lugar onde Dona Maria I morou e faleceu. A reforma do local foi na primeira gestão do procurador Bruno Dubaix, que retornou recentemente ao cargo de Procurador Geral do Estado. Coluna dedicada Esta coluna é dedicada à memória de Rosa Perdigão, liderança fundamental das baianas de acarajé. A Cinelândia e o Largo da Prainha, em especial, jamais podem esquecer o legado. Já com saudade do “Cheirinho de Dendê”.
As preciosidades que o Centro perdeu
Nos últimos 150 anos, o Rio sofreu inúmeras mudanças no Centro. Morros foram destruídos, ruas e avenidas criadas, praias desapareceram do mapa, e por aí segue






