Isso é muito desse Rio que abriu os braços para a Zona Sul e virou as costas para a Norte 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operação no Complexo da Penha e do Alemão - Av. Brás de Pina — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 23:19 Abandono e violência: bairros da Zona Norte do Rio em crise Os bairros de Cordovil e Brás de Pina, na Zona Norte do Rio de Janeiro, enfrentam um abandono crescente em contraste com a atenção dada à Zona Sul. Cidade Alta, um conjunto habitacional inaugurado em 1969, antes sinônimo de comunidade unida, agora é marcado pela violência. A cantora Teresa Cristina destacou o clima de medo com tiroteios frequentes. Brás de Pina, já chamado de "Princesinha do Subúrbio", perdeu seu brilho e sofre com a criminalidade e degradação urbana. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No alto de uma elevação cercada de pedreiras, era inaugurado em 1969 um dos maiores conjuntos habitacionais da cidade. A localização batizou o lugar: Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Financiados pelo antigo Banco Nacional da Habitação, o BNH, os 64 edifícios ganharam nomes que homenageiam bairros cariocas — Urca, Copacabana, Rio Comprido e outros. Coloridos, com jardins e bem mais próximos do Centro do que projetos semelhantes, como Vila Kennedy e Vila Aliança, os prédios foram destinados a famílias removidas de comunidades da Zona Sul. Da noite para o dia, pessoas que cresceram na Favela da Praia do Pinto, no Leblon, e no Parque Proletário da Gávea, onde hoje fica o Planetário, tornaram-se moradores da Cidade Alta. Esses são apenas alguns dos exemplos de muitos que migraram para essa área da cidade. Segundo relatos dos mais antigos, a convivência era harmônica. Algumas vezes, já escutei que parecia cidadezinha do interior, com todo mundo se conhecendo, chamando pelo nome e sabendo das dores e vitórias do dia a dia. Isso acabou. Recentemente, a cantora Teresa Cristina fez um emocionante desabafo nas redes sociais: “Brás de Pina e Cordovil, bairros que conheço desde criança, estão vivendo o inferno. Trocas de tiros de bandidos de facções rivais. Toque de recolher. As pessoas passam o dia agoniadas sabendo que à noite vão começar os tiroteios, com tiros de fuzil e lançamento de granadas”. Isso, minha cara Teresa, é muito desse Rio que abriu os braços para a Zona Sul e virou as costas para a Norte. E só de pensar que Brás de Pina já foi chamada de Princesinha do Subúrbio, bate uma tristeza ainda maior. Princesinha do Subúrbio Na década de 1920, grande parte das terras de Brás de Pina foi comprada pela Companhia Imobiliária Kosmos, de Guilherme Guinle, e dividida em lotes. Nascia ali a Villa Guanabara, um dos primeiros bairros-jardim do Rio, com ruas largas, planejamento urbano e casas de alto padrão. O bairro também foi endereço de artistas importantes. Dolores Duran aprendeu a tocar piano na região, enquanto os cantores Paulo Sérgio e Wanderléa estiveram entre seus moradores. Uma das principais joias arquitetônicas de Brás de Pina é a Igreja de Santa Cecília, construída segundo os moldes de uma igreja de Berna, na Suíça. O templo reproduziu até mesmo o telhado inclinado, projetado para evitar o acúmulo de neve, algo sem qualquer utilidade prática no calor carioca. Atualmente, nos vitrais e nas paredes da igreja, há marcas de tiros. Nos últimos dias, roubaram a grade e o corrimão do centro pastoral desse templo da fé. E, afinal, quem foi o tal Cordovil? O nome do bairro está ligado à família de Bartolomeu de Siqueira Cordovil, que chegou ao Brasil vindo de Portugal por volta de 1700. Seus descendentes tornaram-se proprietários de terras na região e ajudaram a consolidar o nome Cordovil no local. O integrante mais conhecido da família foi o almirante Joaquim Antônio Cordovil Maurity. Oficial da Marinha do Brasil, ele combateu na Guerra do Paraguai e foi condecorado por sua participação nas operações de Humaitá. Sua atuação também lhe rendeu homenagens e elogios de Dom Pedro II. A estação ferroviária de Cordovil foi inaugurada em 5 de outubro de 1910, data considerada o marco oficial do nascimento do bairro. A ocupação da região, porém, é bem mais antiga. Registros históricos indicam a existência de moradores e propriedades no local desde, pelo menos, a década de 1830. Por fim: Até quando?
Cordovil e Brás de Pina: o subúrbio está abandonado
Isso é muito desse Rio que abriu os braços para a Zona Sul e virou as costas para a Norte
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